Damage containment

É só mais uma saída chata como qualquer outra, tento dizer a mim mesmo.  Nos últimos tempos tento tudo por tudo para que as pessoas se esqueçam de mim. Promovo uma jihad privada aos ajuntamentos públicos, (exceptuando, claro está, a mais do que justificada ida ao Rock in Rio para ver Queens Of The Stone Age).  Os humanos aborrecem-me cada vez mais, e eu, não me considerando um tipo aborrecido, que até se acha possuidor de um certo wit, faço muito pouco para contrariar esta avaliação psicológica barata que grassa pelos corredores dos que me são mais próximos. Continuam a convidar-me para cenas várias, e desta vez não consegui dizer que não.  Eis-me então numa saída para a casa de amigos, num terceiro andar lisboeta sem elevador, daqueles prédios velhos mas com uma pinta do caraças, com varandinha com vista para a cidade, como se quer. A regra é, nestas situações, como em tantas outras, “tragam o vosso vinho que nós fornecemos os comes e a música”. No convite sei que está a Sónia, a tal que faz uma  salada de polvo brutal, e deixei-me convencer. Mais pelo ok das minhas papilas gustativas em relação à salada de polvo da Sónia, que é mesmo boa.

Tudo isto ainda é suportável. Sei que vai lá estar uma quantidade de gente suficiente para que a probabilidade de, num dos vários cantos do T3,  me encontrar sozinho com o gajo mais chato que conheço, tirando o Nilton, e que, derivado de vários infortúnios, se dá com os meus melhores amigos. Pior do que não se gostar muito de humanos nos dias que correm, é odiar aquele tipo de humano que acha que tem muita piada, e que tem a infeliz necessidade de estar constantemente a tentar fazer rir os outros. Um ser humano aceitável, para mim, é aquele que consegue estar calado durante dez minutos, a OUVIR os outros, e que numa frase dentro do contexto, acrescenta uma piada que faz rir toda a gente. Ou então pode ser um ser humano que esteja calado o resto da noite. Tanto me faz. Mas o ser humano palhaço, aquele que parece ter sempre um  manancial infinito de tiradas jocosas, irrita-me profundamente. A parte boa é que o tipo cancelou à última da hora. A isto chama-se contenção de estragos.

Mas também posso estar a ver a coisa ao contrário. Se calhar preciso de algo semelhante ao título do segundo álbum dos Ornatos Violeta, o que saiu em 1999. Mas com amigos novos.

Entretanto fiquem com esta deliciosa versão de um hit conhecido. Gosto mais da versão, mas já ouvi coisas piores que o original. Eu sei que esta é cantada por um palhaço. Mas ando a ver o video bastantes vezes a ver se isto me passa.

 

Of cutting onions and good songs…

Costumava achar que a única coisa que me fazia chorar no youtube, eram aqueles homecoming soldier surprises dos soldados americanos, quando chegam a casa depois de longos meses de ausência nos Iraques deste mundo. Não que concorde com política norte americana em meter o bedelho em todo o conflito que mexe, com segundas intenções, que não concordo, mas consigo separar as águas e ver a emoção dos reencontros, sem que a negatividade latente do que os levou a irem para fora. As famílias às vezes ainda são o que são, e eu, embora provenha de uma disfuncional q.b., consigo sentir na pele, e nos olhos, as emoções dos reencontros das outras famílias.

Este video não me fez chorar. Na verdade quando digo chorar ali no parágrafo de cima, não é bem chorar, é mais aquele nó na garganta seguido de fluidos lacrimais que teimam em toldar-me a visualização do resto do video. Encontrei este por acaso, a procurar a versão original, que posso colocar ali em baixo. A versão acústica consegue provavelmente ser melhor que a original. Isto é o projecto/obra de um jovem inglês chamado Chris Corner, denominado IAMX. É ligeiramente gótico, mas em bom. Podem não gostar do original aqui em baixo, mas o video ali em cima está fixe, não está? Conhecia a cara do velhote do filme infantil Up. Desconheço se as imagens são todas retiradas do filme, que não vi, mas a compilação está muito boa e conta uma pequena história. Fiquei como se tivesse acabado de cortar duas cebolas para o refogado. 

Ressaca

paradesend

A ressacar a demora da quinta temporada de Downton Abbey, dou frequentemente por mim a procurar séries que emulem aquela época. São cenas em que um gajo pensa, o que é que querem? Dá-se o caso de gostar imenso daquela época, ali entre o início do século vinte, a primeira grande guerra, e os loucos anos vinte que se seguiram.

Na verdade nem é bem gostar, é fixação. Em acreditando na transmigração das almas, ter-se-ia aqui pano para mangas, mas não vamos por aí. Não hoje. Falemos de ontem. Ontem estava a fazer zapping na 2 e reparei nesta série. Pareceu-me interessante. Rapidamente foi XBMC/Wareztuga/Séries/Favoritos. Pronto tenho a série para ver. São apenas 6 episódios com a chancela BBC, vai saber a pouco, até porque ontem foram dois episódios de enfiada.

Anda por lá o Benedict Cumberbatch, e a lindíssima Adelaide Clemens, sim a mesma de Rectify, e que eu confundo sempre com a Carey Mulligan. Que ninguém me lixe, elas parecem mesmo ter sido separadas à nascença. Digam o que disserem. O facto de terem quatro anos de diferença e serem de países diferentes é irrelevante. 

Se por acaso também estão a ressacar como eu, ide procurar. Se tiverem aquela história das operadoras de andar para trás nas boxes, também a podem procurar na TV2.

 

Where Do We Go From Here

Caminho em passo largo em direcção ao Minipreço na Actor Taborda. Tenho por hábito comprar lá as Cuétara Cream Cracker que me ajudam a mitigar a imensa fome entre refeições. Sim, sim , devia comer menos bolachas. O marcador electrónico em frente à nova esquadra da judiciária marca trinta e cinco graus. Agradeço aos Sete por me terem lembrado, no preciso instante em que me preparava para rodar a chave da porta de casa, de reforçar a dose de Dove Desodorizante Extra Fresh. Tinha acabado de ver na Sic Notícias que hoje estaria ainda mais calor.

Passo em frente ao Liceu Camões, e vejo dois putos enrolados. São de sexos diferentes, e lambuzam-se sem qualquer pudor, encostados ao gradeamento. Salientei a questão da morfologia ao nível dos genitais apenas porque já presenciei antes, duas miúdas no chafurdanço, a escassos metros das mesmas grades. Estão a chegar as férias grandes, é possível que estejam algum tempo sem se verem e parecem querer queimar os últimos cartuchos. No instante seguinte penso nas novas tecnologias, no skype e no instagram e que burro que sou. Já estou a imaginar a miúda a mostrar-lhe as maminhas em directo dois dias depois enquanto o puto bate uma entre juras de amor eterno. Depois limpa tudo com Kleenex.

No lado do jardim, na Praça José Fontana, está um tipo a tocar saxofone, uma das quinhentas versões de Tom Jobim e da sua, por vezes, irritante Bossa Nova. Foi a fórmula encontrada pelo dono do quiosque recuperado, para chamar malta. E resulta. Ainda que do cimo do coreto quase consiga ver o brilho do suor do anafado senhor. Mas dizem que o café que dali sai é bom. Ainda não experimentei porque está sempre pejado de yuppies.

Duas borboletas ultrapassam-me pela direita já a contornar a escola. A de asas douradas é bastante rápida. Deve ter deixado a fase crisálida recentemente. Ainda assim parecem bastante divertidas, as maganas. Assustam-se com a cor do verde das bandeiras, que passam presas nas costas de duas brasileiras, e passam para o outro lado da estrada.

Entro no Minipreço e desapareço na confusão de pacotes de bolachas. Já não têm Cream Crackers e a marca deles não tem metade do sabor. Levo as….argghh…integrais. O que não mata engorda.

A friend in need is a friend indeed

Este video estava nos meus rascunhos desde o ano passado. Sozinho, sem palavras que o acompanhassem, sem um título assaz interessante, como o que acabei de escrever ali em cima, descaradamente roubado aos Placebo. Se calhar estava previsto um texto todo catita, digo isto porque o título é demasiado bom para ser gasto num post banal. Mas é o que acaba por  aconteceR. Fever Ray é um gosto recente. Sou sempre o último a chegar lá.

Boa ponte a todos. Tirando a dos cadeados em Paris. Sim,  a do amor. Diz que ruiu parte do gradeamento. São algumas centenas de juras de amor eterno que se perdem para sempre. Disseram-me que para já não corro esse risco. A parede dos amantes em Verona ainda está de pé.

 

Ups and downs

sunset

Tenho uma relação de amor ódio com o pôr do Sol. Amo e odeio várias coisas como qualquer meu semelhante, mas esta relação é especial. Já fui feliz a olhá-lo, já me fez bastante infeliz por para ele ter olhado. Em 2003, ia apressado ter com uns amigos. O motivo não me trazia grande interesse, tratava-se da final da Taça Uefa entre o Porto e o Sevilha. Saí bastante atrasado do trabalho. O interesse era quase nulo porque apesar de ser a cidade onde nasci e cresci, a minha cor de eleição futebolística é outra. Mas estar com os amigos a beber e a mandar postas de pescada a ver futebol, era das coisas de que mais gostava na altura. A meio do caminho e com o Sol a caminhar a passos largos para Oeste, a sua imensa luz ofuscava-me os olhos sem óculos. A velocidade não era muita, num trânsito ligeiramente compacto, mas a verdade é que só me apercebi da gigantesca traseira daquela fatídica Ford Transit quando já era tarde de mais.

Foi um adeus prematuro ao meu primeiro carro, um Clio cinza a diesel. A frente ficou incrivelmente perto dos meus joelhos, e enquanto cuspia atrapalhado os vidros estilhaçados da boca, maldizia aquele momento. Foi mais fácil atribuir a culpa ao pôr do Sol, que matreiro me cegava, mas foi ainda mais difícil convencer o dono da Ford Transit a dar-me boleia até casa, que lhe ficava em caminho. Fiquei sem carro, arranhado na cara e o Porto ganhou a Taça Uefa.

Já me disseram que me preferiam como amigo ao pôr do Sol. Foi na praia da Aguda, perto de Gaia. Ela achou que éramos demasiado amigos. Que provavelmente se estragaria uma linda amizade. Eu, ingénuo, achava que sim, que não se conseguia amar a melhor amiga, e anui. Felizmente o tempo mostrou-me a possibilidade do contrário. É tão fácil amar a melhor amiga.

Mas também já fui muito feliz a ver o pôr do Sol. Em flashbacks na praia, com amigos, demasiado abraçado pelo bafo de Baco; de mãos dadas a onze mil metros de altura, a caminho das Arábias, naquela que se revelou a viagem da minha vida. Vi-o desaparecer nas montanhas de Wadi Rum, o deserto do Lawrence da Arábia; presenciei o seu ocaso enquanto subia o Ben Nevis na Escócia. Dei por ele a desvanecer-se enquanto praticava o amor numa varanda em Taormina, na Sicília. Por isso nunca saberei se o meu amor ao pôr do Sol suplanta o ódio que também lhe sinto.

 

Truth be told

viral

Parece que está na moda, e que se está a tornar viral nesta micro blogosfera, gozar com as meias do pessoal. Ou usar isso como bacoco subterfúgio para criticar. Não costumo ir atrás. Sou o Sherpa lá da minha rua e nunca sigo nada nem ninguém.  Mas custa-me ver a parvoeira que para aqui se instalou. Como dizem os Queens Of The Stone Age na “Go with the flow”: “… I can go with the flow, don’t say it doesn’t matter anymore, I can go with the flow, do you believe it in your head?…”

Por isso vou dizer que ali é que está na realidade o pé de Dom Pipoco, e que sim, têm toda a razão, e a Palmier Encoberto é, efectivamente, minha consorte.

Ou então estou só a tentar aproveitar-me da fama alheia.

A blogoesfera é tão linda.

Com o tempo contado, as escolhas tornam-se sempre mais fáceis.

Não vou falar de todas as trinta e quatro séries que passam na televisão. São demasiadas, vocês também costumam vê-las, pelo menos as da moda, pelo que tento sempre fazer um filtro para as que acho que me podem vir a interessar, filtro esse que passa, por regra, pelo episódio piloto. E são tantas as que optei por não ver à conta desse episódio piloto. Bem sei que em algumas, a trama adensa-se e melhora nos episódios seguintes, mas como ali em cima refiro, o tempo é pouco.

Sem ordem de preferência, e sem me alongar muito nas descrições, que para isso serve o imdb e seus sucedâneos, ficam aqui três boas sugestões:

peaky

Selo de qualidade BBC. Birmingham, 1919. Muito smog, gangsters, policias corruptos, ciganos, prostitutas, e bastante whisky irlandês à mistura. E tem o Cillian Murphy. Uma fotografia de fazer inveja à maior parte das grandes produções de Hollywood, planos soturnos muito bem conseguidos. Resta-me esperar pela segunda temporada. Também tem love affairs, para quem arqueou a sobrancelha com a palavra gansters ali em cima. Antes que me esqueça, a banda sonora ficou a cargo do Sr. Nick Cave, e dos White Stripes. Coisa pouca, portanto.

fargo

Remake do original dos irmãos Coen de 1996. O humor noir também está lá. Bastante nonsense, mas não tanto como no original. Custa um bocado não ver a Frances McDormand no meio de toda aquela neve mas a malta habitua-se. O Martin Freeman faz uma pausa do Hobbit, esconde o anel e vem para o Minnesota. Ainda só vi dois episódios mas já me convenceu. O Billy Bob Thornton é um actor do car…aças. Para os fãs de Breaking Bad também também há um pequeno treat.

penny

Podia iniciar e concluir o curto raciocínio, dizendo apenas que no seu elenco consta uma tal de Eva Green. Mas também tem o Josh Hartnett, e pasmem-se!!, conseguiram tirar do armário de Hollywood o Timothy Dalton. Imaginem a maioria das criaturas fantásticas dos livros de terror do Bram Stoker, da Mary Shelley, do Robert Louis Stevenson. Já estão a imaginar? Pronto. É isto. Mas em bom. É da Showtime que não costuma brincar em serviço. “Dexter”, “Masters Of Sex”, “Homeland”, “Californication”, são disso bons exemplos. Vou no segundo episódio e estou a gostar muito. Ajuda ter como criador o John Logan, um tipo simples que já nos presenteou com coisas básicas como: “Gladiador”, “Skyfall”, “O Último Samurai”. Já disse que entra a Eva Green?

 

Erros Crassos

strudel

Quem nunca os cometeu, que atire o primeiro calhau.

Sexta-feira passada, meia noite e vinte e três, prestes a entrar no metro na Bela Vista. Muito pouca gente, alguns gatos pingados que, como eu, regressavam do fantástico concerto de QOTSA, e fugiam a sete pés das  músicas ritmadas mas sempre iguais dos Linkin Park. Uma vez dentro da carruagem, olho para a esquerda, um grupo de putos negros com os seus hoodies, capuzes enfiados na cabeça e ar de mauzões. Inconscientemente, deixo-me arrastar para a direita, juntamente com o grupo de Bernardos com repas a tapar o olho direito e camisas Sacoor, e Marias e Catarinas que balbuciavam palavras swag que confesso não conhecer. Esta seria uma viagem curta, uma vez que tinha deixado o carro no Saldanha para fugir à confusão dos estacionamentos. Acontece que os Bernardos e as Marias estavam bêbados que nem um cacho e ainda se faziam acompanhar de litrosas compradas sabe-se lá onde. Sentei-me a um banco de distância deles. O cagaçal ensurdecedor que faziam, culminou com uma das Marias a vomitar-se toda, a um dos Bernardos, e a salpicar-me as botas. Riam todos a bandeiras despregadas da situação, eu sentia-me como no fim de uma das piadas do Nilton. Levanto-me e mudo-me aborrecido da zona pestilenta,  aproximo-me dos hoddies com negros mauzões a espreitarem lá de dentro. Ouço-lhes nitidamente a conversa: “Que papalvos mene! Que figurinhas rídiculas! É uma vergonha andarem assim na rua!!”  

Moral da história: Nunca julgarás alguém pelos hoodies que veste.

Os erros sucedem-se mas não têm qualquer ligação lógica, à excepção disso mesmo. São erros.

Ontem deu-se o caso de ter oito pessoas a comerem lá em casa. Muita louça, da melhor porque se quer impressionar, Stan Getz na estereofonia só porque sim. Correu tudo muito bem, os convivas adoraram o Strudel de salmão com espinafres e pediram a receita. Tudo parecia correr pelo melhor quando já se faziam, à porta, as despedidas dos últimos convivas. Toca a meter a louça na máquina e…a puta da máquina estava cheia. Porque me tinha esquecido de a pôr a lavar. Tenho um grave problema com deixar louça por lavar. Não consigo. Reminiscências de uma infância e adolescência em que me ensinavam que isso, pura e simplesmente não podia acontecer. Coloco a máquina a lavar, e dedico trinta e sete longos minutos a lavar à mão os talheres que haviam cortado aquele divinal strudel minutos antes. A job well done. Mas já é meia noite e quatorze e ainda queria ver a Guerra dos Tronos. Qualquer pessoa no seu juízo perfeito ia dormir, porque para além de cansado, estava ligeiramente tocado, como fico sempre em jantares bem regados. Por boa companhia e bom vinho. Escusado será dizer que adormeci e não vi o que aconteceu no episódio, e ainda que tendo lido os livros, levei com um tremendo spoiler logo de manhã, cortesia de um colega de trabalho.

Moral da história: Não tentes ver um episódio de Game of Thrones tocado pelo néctar de Baco. E não deixes louça na máquina por lavar.