Opening Credits

truedetective

 

Agora que a série terminou, podia dizer que o que vai realmente deixar saudades, é a magnífica prestação dramática da dupla McConaughey/Harrelson. A fotografia que é excelente. A trama noir criada pela mente do Nic Pizzolato. Mas o que realmente me cativou foi o genérico. Os genéricos das séries são actualmente uma ode ao grafismo e à inovação. RectifyTrue Blood, The Walking Dead, DexterMasters of Sex, The Sopranos, e naturalmente True Detective, são apenas alguns dos bons exemplos. Haverá outros. Game of Thrones por exemplo, terá para sempre um lugar no meu coração, mesmo ali ao lado de Sete Palmos de Terra.

Em relação ao grafismo de True Detective foi fácil chegar via google ao fotógrafo Richard Misrach cujas fotos do Lousiana profundo, inspiraram os criadores da série.

Enquanto os fãs de True Detective se questionam e degladiam  nas redes sociais acerca da veracidade de Brad Pitt se juntar ao novo elenco para a segunda temporada, e se este será uma boa opção, a minha dúvida irá mais no sentido do genérico. Conseguir-se-à fazer melhor?

Titereiro

puppeteer

Que me comandes todos os segundos do dia, que me condiciones literalmente o respirar, ainda consigo dar de barato. Que me iludas ao ponto de duvidar de mim próprio é que me chateia um bocado. Ando desde Outubro com dores de cabeça. Isto numa base diária. Sendo que , infelizmente, passo cerca de sessenta por cento do meu dia em frente a algum ecrã, associei naturalmente isso a algum cansaço visual. Isso também acaba por explicar alguma da ausência por aqui. De 0.50 dioptrias no olho esquerdo, passo para 1.25, e de 0 para 1 no direito. Assim. Sem vaselina para facilitar. Malta das 28 dioptrias, abstenham-se de criticar.

Andei zonzo, nauseado e tal, mas achei sempre que seria para melhorar o estado da arte. Não foi. As dores de cabeças, enxaquecas e o car…aças, continuam por cá. Dei por mim a pedir, quase em lágrimas, à simpática oftalmologista mais graduação no olho esquerdo. Senti-me um agarrado a cravar pelo menos uma dose de metadona. No histórico de consultas, ela agarra-se a suposições, dado que todos os exames feitos não revelam merdas estranhas tipo glaucoma. Passa pelos acufenos e acha que não haverá ligação com os ouvidos. Depois, refundido e perdido no inicio de 2013, descobre um TAC aos seios nasais, ao desvio do septo nasal, enfim, a mucos vários entranhados em  cavidades com nomes esquisitos. E pergunta-me porque é que não lhe tinha ainda dito que tinha sinusite.

Aqui, no momento desta revelação que não o era, apercebo-me, estúpido, que me devia ter lembrado, ou não andasse a snifar uma cena ao deitar para isso. Dou então por mim a querer com todas as forças que a origem deste mal estar seja sinusite, e não as dioptrias e o recém chegado astigmatismo.

Nova batelada de exames e presumíveis medicamentos, e esperar que a coisa melhore.

Querem coisas fofas em blogues? Não venham cá. Blogues também são isto.

Ps- Titereiro que me mexes nos cordelinhos: puxa aí o cordel do pai-de-todos. É para ti.

 

 

“Foi mais forte do que eu, assim que as vi, tive de as possuir.”

Without

 

With

Um blog serve o propósito que lhe quiserem dar. Este em particular, durante mais de um mês, não sentiu necessidade de partilhar o que quer que fosse. Por não querer, por estar farto, porque, porque. Hoje não foi um desses dias.  Comecei a traçar planos para voltar ao trekking já no próximo fim de semana, e decidi partilhar aqui as minhas novas amigas. Se Dom Pipoco por cá passasse, iria por certo reparar que são as botas perfeitas para uns belos crampons. Creio ser uma paixão em comum. Pelo menos para mim são.

Agora com licença que vou ali estudar uns trilhos.

 

 

 

D Day

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Arromanches, Normandia, 6 de Junho de 1944, operação Overlord. Woody Dewar é apenas mais um dos milhares de paraquedistas americanos que tenta libertar o mundo do jugo Nazi. Continua a chover como o caraças apesar de já terem adiado o desembarque por causa do mau tempo. Woody pensa em Bella. O livro, tal como o primeiro da trilogia, prende-me de tal maneira que pareço sentir a chuva na pele, a molhar-me o pescoço, a turvar-me a visão, a deixar-me os pés gelados.

Dilemas de branco

2euros

 

Em passo apressado, sempre  atrasado, a ultrapassar proletários aos magotes. Apercebo-me com horror de que os dois euros da praxe para o Euromilhões não foram gastos. Meto a mão ao bolso e conto cêntimos para além da reluzente moeda. Estou em Entrecampos, são quase dezanove horas. Estugo o passo para ultrapassar duas caucasianas obesas e registar a minha utópica fortuna na banca de jornais. A lei das probabilidades diz-me que é dinheiro mal gasto. Estou a metros da porta quando os eflúvios das pipocas doces ali ao canto, se me assomam às narinas. Porra. Os mesmos dois euros. Dilemas de branco como diria o Louis C.K.

Ao meio dia de hoje ainda me dói a barriga. Continuo pobre.

A Fábula da Floresta e do Guaxinim

forest

Uma bétula, ferida de morte pelo passar dos anos  e pela moléstia, cortesia de um bicharoco mau, está prestes a cair numa qualquer floresta. Um queriducho guaxinim surdo é a única presença em redor. Apercebe-se a tempo, e apenas por um feliz acaso, de que a árvore em queda o vai  esmagar. Dá um salto para o lado e salva-se por milagre. O seu pequenino coraçãozinho de guaxinim bate descompassadamente, olha para um lado e para o outro, ainda sem acreditar muito bem na sua sorte, e desaparece aos saltos num matagal próximo.

Nas cidades também caem àrvores, ainda que num rácio bem menor. E velhas. Também caem velhas nas cidades. E quando caem, são geralmente muitos os guaxinins surdos e em particular cegos, que fingem não se aperceber da queda da velha. É mais fácil virar a cara para o lado e fingir que o atraso é enorme. Eu, lontra assumida, corro logo a ajudar a pobre coitada, mais preocupada com o saco do Pingo Doce a espalhar compras pelo chão, do que propriamente com o joelho esfolado e os collants opacos rotos. Se fosse uma árvore, estes cabrões destes guaxinins citadinos reparavam, como era uma velha, continuaram cegos e surdos a caminhos dos seus matagais na periferia.

Como é cada vez mais raro um post por estes lados, lembrei-me de uma outra questão pertinente. Sendo o guaxinim da floresta surdo, será possível considerar-se que naquele preciso momento, a árvore ao cair fez barulho?

Bonner

Pronto. Era só isto. A Melissa ”estreia” o regresso da rubrica divas do rock à sexta-feira. Podia ser à Quinta, à Quarta, enfim, quando elas quisessem.  Está bem, está bem, tenho uma coisa por ruivas. Mas a música também merece.

Cast Away

Castaway

Já não me recordo muito bem de como vim aqui parar. Os dias, os meses, os anos passaram. Fodasse. Os ANOS. O tempo fez o trabalho do costume e esqueci-me. Do que vim para cá fazer, por exemplo. As premissas diluíram-se, os projectos foram engavetados, e aquele discurso cliché na entrevista para emprego, o da pergunta: -Onde se vê daqui a cinco anos?-, torna-se agora patético e deslocado.

Não estou sozinho nesta ilha de 6 metros quadrados. Antes estivesse. Na verdade isto é um pequeno arquipélago. São 6 pequenas ilhotas, repletas de personagens secundários daqueles mesmo merdosos, que não interessam nada para a trama deste post.  Debrucemo-nos pois sobre os meus vizinhos de ilha. Prometo ser sucinto. De um lado, uma inapta social. Não ri, não chora, pouco fala, coça o nariz constantemente, e limpa a cera dos ouvidos com um pequeno pedaço de papel que habilmente transforma em cotonete caseira. Isto numa base diária. Tem este toque de telemóvel que toca religiosamente às dezoito horas, a hora a que a mãe lhe telefona para perguntar o que fazer para o jantar. Aprendi cedo a não gastar boas piadas com ela. Uma parede ria mais.

Do outro lado temos o programador. Toda a gente tem um programador. O Neo concordaria comigo num ápice. Este programador é igual aos outros programadores todos que vocês conhecem. É estranho. Julga ter o monitor colocado estrategicamente de forma a ninguém ver os seus tweets, mas topo-lhe praticamente tudo. Inclusivamente a aplicação que instalou ás escondidas no telemóvel da namorada. Liga aquele acesso remoto várias vezes ao dia para ver onde a namorada está, e o que está a fazer. A pobre coitada não faz a menor ideia. Já não bastava ser meio vesga. Haja confiança numa relação assim. Quase me esqueço do meu Ateísmo e começo a rezar pelo dia em que ao ligar aquilo, a primeira imagem a aparecer seja a da namorada agarrada a um qualquer mangalho alheio.

No fundo o segundo e terceiro parágrafos são subterfúgios para a dura realidade do primeiro: estou farto desta merda.

Blog in a bottle

Honorato

Nuns dias penso que coloquei este blog numa garrafa e que o atirei ao mar, ali para os lados da Costa. Foi bom enquanto durou, deu-me alguns bons momentos, diverti-me durante outros tantos, mas numa vã tentativa de acabar com ele, deixei de escrever e atribui essa falha à falta de tempo. Mas tal como a constante ondulação na Costa, pelo menos por estes dias, o raio da garrafa volta sempre aos meus pés, tornando-se difícil o desmame. Consigo estar um mês sem escrever nada, consigo estar todo esse tempo sem ler blogues. Mas não me consigo ver livre da culpa. Do abandono. Da falta de limpeza. Sobretudo da falta de limpeza. Se me dessem um euro por cada comentário spam que ainda hoje apaguei, daria para levar a maior parte de vocês ao Honorato para comer um BOM hamburger.

 

 

Laughingstock

TrollsSmall

 

Sabes que está tudo perdido, e que daí em diante as coisas só podem piorar, quando te confundem com um reles duende irlandês. Depois apercebes-te de que os duendes irlandeses andam sempre vestidos de verde.  A estes vestem-nos de azul e vermelho, cores do país de produção, a Roménia. Foda-se, ainda se fossem ciganos a tocar concertina. Aos duendes só lhes invejo o pote de ouro, mas nem assim posso estar de acordo. Troll? Isto?