
O meu nome é Bill Compton. Tenho 177 anos e sou um vampiro. Nasci no…nah. Este post ia ficar ainda mais manhoso, e nem sob tortura, confessarei algum dia, que vejo uma série com um nome destes. Adiante. Acontece que o post de hoje envolve sangue. Pronto está feito. A palavra sangue é garante de atenção redobrada por parte de cinquenta por cento dos leitores. Os outros cinquenta encolhem os ombros e vão ler na mesma.
A empresa onde trabalho vela por mim. Não quer que nada me falte, e quer-me sempre com saúde e vigor. Para isso, e não apenas porque é legalmente obrigada, de dois em dois anos, exige que os seus funcionários se sujeitem alegremente a apertados exames de saúde, que consistem em mijar para um copo de plástico, e ter uma agulha espetada na veia mais saliente do braço. Todos já passaram por isto. Mas nem todos terão tido a experiência que tive ontem. Envolve sangue, duas mulheres, quatro homens e um espaço exíguo, ali, paredes meias com o Saldanha Residence. Não, não é um caseiro de snuff. Antes fosse. Mas foi igualmente divertido.
Cheguei atrasado, suado, esganado de fome pela obrigação do jejum, e a achar que passar fome é, talvez, a verdadeira razão para nunca vir a ser um verdadeiro cristão. Estava com vontade de esmurrar alguém, mas não o fiz. Trazia comigo o primeiro xixi da manhã, um pouco a medo, estava refundido num bolso do casaco. Acreditem que choraria pelo xixi derramado. Depois de alguma espera, apenas apaziguada pela leitura de uma revista Maria, fomos chamados. Sim fomos. Quatro marmanjos chamados ao mesmo tempo por uma jovem vestida com uma bata branca, claramente dois números abaixo do suposto. E ainda bem. Do tronco para cima, estava irrepreensível. Entrámos de fininho para uma salinha razoavelmente iluminada por uma luz amarela, e pelo sorriso da segunda jovem que já nos esperava. Com três manfios atrelados, a possibilidade de um ménage a envolver enfermeiras de bata, desvanece-se logo ali. Começaram a aviar os dois primeiros.
Nunca calhou em ir às meninas, mas não sei porquê fiquei com a sensação que seria algo assim do género, mecânico e sempre a aviar, tirando a parte em que baixas as calças. Ali subiam-se mangas. Os dois primeiros clientes, não quiseram assistir ao espectáculo de tirar sangue. Que se sentiam bem, mas que não conseguiam ver. Foi mais rápido que uma rapidinha, e num ápice já eu estava a ser aviado. O terceiro marmanjo já estava a levar com o tratamento ao mesmo tempo. Suava e virava a cara para o lado com repulsa, como se a jovem do busto proeminente fosse uma puta de um qualquer porto, com sífilis. Eu olhava para o sangue que me era retirado do braço esquerdo, enquanto a segunda jovem sorria e me perguntava se me sentia bem. “Com fome”, respondi. Sorriu e disse que normalmente os homens viram a cara para o lado e recusam-se a ver. Eu vi. Sou dos que gostam de ver tudo ao pormenor. E mais veria se mais sangue houvesse para tirar. E não era porque o busto da primeira jovem se encontrava a escassos centímetros, bem no centro do meu campo de visão. Eu estava a gostar de ver sangue. Sempre gostei, e nem sei bem porquê. Deve ser o vampiro em mim.