Beard New World

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Sabes que estás a entrar num mundo completamente novo, quando dás por ti a encomendar este tipo de artigos na Amazon UK. Isto quando ontem já tinhas encomendado este. Imagina que o Metrosexual e o Caveman em ti, se encontram para um café, e decidem testar os limites capilares do teu rosto. Esta demanda começou em Junho. Já estava habituado a cuidar bem das minhas pilosidades, foram quase treze anos de cabelos a roçarem-se lascivamente pelo rabo. Isto nunca teria acontecido sem alguns cuidados como sérum e condicionador sempre em separado. Sempre fui apologista de que se era para ter cabelo comprido, que estivesse sempre flawless. Seis anos depois de o ter cortado, o resultado desse trabalho ainda pode ser visto na forma de uma trança perfeita, imaculadamente guardada lá em casa. Ainda brilha.

Assim que assumi o aspecto lumberjack, isto porque nunca me consegui rever nos meus semelhantes e nas suas barbas de três dias, decidi que se era para manter, teria igualmente de estar flawless. Sou um gajo de pequenos projectos. Sou também um gajo acusado de deixar a maior parte desses projectos na gaveta. Este está a correr bem e recomenda-se. Lá para Dezembro, se ainda tiver blogue,  sou gajo para mostrar aqui o aspecto da coisa. Se por acaso se cruzarem por aí comigo, por favor não me atirem moedas. É mesmo por opção.

#ModoMetrosexualOff

Crazy Horses

Tive ontem uma epifania que decidi ser passível de partilhar com o mundo. Não foi uma daquelas epifanias brutais que nos provocam um baque nos sentidos, como se tivéssemos resolvido o mistério do filme x quando ainda mal o corpo da vítima está a arrefecer e já descobrimos quem foi o assassino, ou mais recentemente quem era o ardiloso agente alemão infiltrado na finca cubana do Hemingway, no “Clube dos Patifes” do Dan Simmons, o romance que eu julgava misturar sabiamente factos verídicos com a imaginação do autor, e que vim agora a saber que faz uns rip offs descarados ao “To Have And Have Not” do malogrado barbudo americano. Adiante.

Em 1992, papá Troll compra finalmente uma aparelhagem de som. Era um pedido de todos os natais, calhou ser naquele. Não era uma qualquer, era uma Technics enorme, um mastodonte com vidro espelhado que cabia no canto da sala e tinha umas colunas igualmente mastodônticas a condizer. Gira discos com agulha ponta de diamante, enfim, the whole shebang. Ele tinha uma colecção enorme de vinis 45 rotações que conseguiu trazer de Lourenço Marques, sem que tenha sido roubada no transporte, como aconteceu com quase toda a sua colecção de peças em pau preto. “Problemas alfandegários”, culpa dos retornados, segundo lhe disseram. Passei a ouvir aqueles 45 rotações com bastante frequência, o que serviu para achar que, actualmente, a minha cultura musical dos anos sessenta e setenta, bate a maior parte da malta da minha geração. Bem vistas as coisas, o meu gosto pela musica não começa com as k7’s dos The Cure que o meu irmão levava para casa, mas antes com estes vinis. Por entre vários Suzy Quatro, Procol Harum e Demis Roussos, estavam dois vinis que tornavam, (e talvez ainda tornem), aquela colecção especial e possivelmente valiosa. Um single dos Pink Floyd, a “Money”, retirada do álbum “The Dark Side of The Moon”, e o 45 rotações de uma banda de que nunca tinha ouvido falar, The Osmonds, com o single “Crazy Horses”.

Vinte e dois anos depois, ainda me lembro frequentemente desta música quando penso em cenas antigas. Ontem um pequeno circulo completou-se, Estava a ouvir Led Zeppelin no youtube, e a terceira sugestão que o gajo me deu foi qual? Exacto. Fiquei com um sorriso de orelha a orelha porque nunca me tinha ocorrido que poderia haver um video. Existem vários. Os The Osmonds foram considerados putos progídio nos anos setenta, e tiveram uma carreira que ainda dá cartas nos nossos dias. O puto com carinha laroca a tocar baixo, ainda recentemente andava na Broadway a cantar Andrew Lloyd WebberIsto disse-me a wikipédia. Para quem conhece Led Zeppelin, encontra facilmente riffs parecidos, e tal como estes, também os The Osmonds estavam bastante à frente no seu tempo.

 

 

About ageing

Acabamos ontem a noite numa demanda quase insana, em que lhe mostrava algumas das coisas fixes que ouvia no Walkman na escola secundária. Já eram mais do que horas de estar na cama, mas foi mais forte do que eu. Senti que lhe estava a deixar um bocadinho do meu legado musical. Isto aconteceu porque encontrei o meu velho walkman ao limpar umas caixas, daquelas que aguardam pacientemente anos a fio nos armários dos escritórios, que nos lembremos que elas lá estão. A lembrança na verdade está sempre latente, a vontade em mexer-lhes é que é nula. Está assim ao nível da Ibanez RG470 para canhotos, com picks ups DiMarzi0, que envelhece no estojo. Eram DiMarzio porque nunca houve guito para uns Seymour Duncan, mas isso já não interessa para a conclusão desta história.

Achou aquilo maravilhoso, nunca tinha visto uma K7, quanto mais umas BASF de Chrome das boas. Ficou toda excitada com a velha novidade mas o walkman não funcionava e a excitação deu lugar ao desapontamento. Acabámos no Youtube a mostrar-lhe algumas músicas mas não é a mesma coisa. Lembro-me bastante bem desta fase e das faixas que estavam naquela K7. Eram tempos difíceis, era o desmame pós Nirvana. Esta faixa ali de cima, ficava entre a “Pretend We’re Dead” das L7 e a “The Day I Tried To Live” dos Soundgarden. Ainda se conseguem ler os nomes das músicas, imaculadamente escritas a caneta de acetato.

Terminou com um: “Isto é música de papá?” que me desarmou. “Não, respondi-lhe. Pelo menos não de todos os papás. Mas são do teu, por isso são especiais”. Não soube o que lhe dizer mais.

Damage containment

É só mais uma saída chata como qualquer outra, tento dizer a mim mesmo.  Nos últimos tempos tento tudo por tudo para que as pessoas se esqueçam de mim. Promovo uma jihad privada aos ajuntamentos públicos, (exceptuando, claro está, a mais do que justificada ida ao Rock in Rio para ver Queens Of The Stone Age).  Os humanos aborrecem-me cada vez mais, e eu, não me considerando um tipo aborrecido, que até se acha possuidor de um certo wit, faço muito pouco para contrariar esta avaliação psicológica barata que grassa pelos corredores dos que me são mais próximos. Continuam a convidar-me para cenas várias, e desta vez não consegui dizer que não.  Eis-me então numa saída para a casa de amigos, num terceiro andar lisboeta sem elevador, daqueles prédios velhos mas com uma pinta do caraças, com varandinha com vista para a cidade, como se quer. A regra é, nestas situações, como em tantas outras, “tragam o vosso vinho que nós fornecemos os comes e a música”. No convite sei que está a Sónia, a tal que faz uma  salada de polvo brutal, e deixei-me convencer. Mais pelo ok das minhas papilas gustativas em relação à salada de polvo da Sónia, que é mesmo boa.

Tudo isto ainda é suportável. Sei que vai lá estar uma quantidade de gente suficiente para que a probabilidade de, num dos vários cantos do T3,  me encontrar sozinho com o gajo mais chato que conheço, tirando o Nilton, e que, derivado de vários infortúnios, se dá com os meus melhores amigos. Pior do que não se gostar muito de humanos nos dias que correm, é odiar aquele tipo de humano que acha que tem muita piada, e que tem a infeliz necessidade de estar constantemente a tentar fazer rir os outros. Um ser humano aceitável, para mim, é aquele que consegue estar calado durante dez minutos, a OUVIR os outros, e que numa frase dentro do contexto, acrescenta uma piada que faz rir toda a gente. Ou então pode ser um ser humano que esteja calado o resto da noite. Tanto me faz. Mas o ser humano palhaço, aquele que parece ter sempre um  manancial infinito de tiradas jocosas, irrita-me profundamente. A parte boa é que o tipo cancelou à última da hora. A isto chama-se contenção de estragos.

Mas também posso estar a ver a coisa ao contrário. Se calhar preciso de algo semelhante ao título do segundo álbum dos Ornatos Violeta, o que saiu em 1999. Mas com amigos novos.

Entretanto fiquem com esta deliciosa versão de um hit conhecido. Gosto mais da versão, mas já ouvi coisas piores que o original. Eu sei que esta é cantada por um palhaço. Mas ando a ver o video bastantes vezes a ver se isto me passa.

 

Of cutting onions and good songs…

Costumava achar que a única coisa que me fazia chorar no youtube, eram aqueles homecoming soldier surprises dos soldados americanos, quando chegam a casa depois de longos meses de ausência nos Iraques deste mundo. Não que concorde com política norte americana em meter o bedelho em todo o conflito que mexe, com segundas intenções, que não concordo, mas consigo separar as águas e ver a emoção dos reencontros, sem que a negatividade latente do que os levou a irem para fora. As famílias às vezes ainda são o que são, e eu, embora provenha de uma disfuncional q.b., consigo sentir na pele, e nos olhos, as emoções dos reencontros das outras famílias.

Este video não me fez chorar. Na verdade quando digo chorar ali no parágrafo de cima, não é bem chorar, é mais aquele nó na garganta seguido de fluidos lacrimais que teimam em toldar-me a visualização do resto do video. Encontrei este por acaso, a procurar a versão original, que posso colocar ali em baixo. A versão acústica consegue provavelmente ser melhor que a original. Isto é o projecto/obra de um jovem inglês chamado Chris Corner, denominado IAMX. É ligeiramente gótico, mas em bom. Podem não gostar do original aqui em baixo, mas o video ali em cima está fixe, não está? Conhecia a cara do velhote do filme infantil Up. Desconheço se as imagens são todas retiradas do filme, que não vi, mas a compilação está muito boa e conta uma pequena história. Fiquei como se tivesse acabado de cortar duas cebolas para o refogado. 

Ressaca

paradesend

A ressacar a demora da quinta temporada de Downton Abbey, dou frequentemente por mim a procurar séries que emulem aquela época. São cenas em que um gajo pensa, o que é que querem? Dá-se o caso de gostar imenso daquela época, ali entre o início do século vinte, a primeira grande guerra, e os loucos anos vinte que se seguiram.

Na verdade nem é bem gostar, é fixação. Em acreditando na transmigração das almas, ter-se-ia aqui pano para mangas, mas não vamos por aí. Não hoje. Falemos de ontem. Ontem estava a fazer zapping na 2 e reparei nesta série. Pareceu-me interessante. Rapidamente foi XBMC/Wareztuga/Séries/Favoritos. Pronto tenho a série para ver. São apenas 6 episódios com a chancela BBC, vai saber a pouco, até porque ontem foram dois episódios de enfiada.

Anda por lá o Benedict Cumberbatch, e a lindíssima Adelaide Clemens, sim a mesma de Rectify, e que eu confundo sempre com a Carey Mulligan. Que ninguém me lixe, elas parecem mesmo ter sido separadas à nascença. Digam o que disserem. O facto de terem quatro anos de diferença e serem de países diferentes é irrelevante. 

Se por acaso também estão a ressacar como eu, ide procurar. Se tiverem aquela história das operadoras de andar para trás nas boxes, também a podem procurar na TV2.

 

Where Do We Go From Here

Caminho em passo largo em direcção ao Minipreço na Actor Taborda. Tenho por hábito comprar lá as Cuétara Cream Cracker que me ajudam a mitigar a imensa fome entre refeições. Sim, sim , devia comer menos bolachas. O marcador electrónico em frente à nova esquadra da judiciária marca trinta e cinco graus. Agradeço aos Sete por me terem lembrado, no preciso instante em que me preparava para rodar a chave da porta de casa, de reforçar a dose de Dove Desodorizante Extra Fresh. Tinha acabado de ver na Sic Notícias que hoje estaria ainda mais calor.

Passo em frente ao Liceu Camões, e vejo dois putos enrolados. São de sexos diferentes, e lambuzam-se sem qualquer pudor, encostados ao gradeamento. Salientei a questão da morfologia ao nível dos genitais apenas porque já presenciei antes, duas miúdas no chafurdanço, a escassos metros das mesmas grades. Estão a chegar as férias grandes, é possível que estejam algum tempo sem se verem e parecem querer queimar os últimos cartuchos. No instante seguinte penso nas novas tecnologias, no skype e no instagram e que burro que sou. Já estou a imaginar a miúda a mostrar-lhe as maminhas em directo dois dias depois enquanto o puto bate uma entre juras de amor eterno. Depois limpa tudo com Kleenex.

No lado do jardim, na Praça José Fontana, está um tipo a tocar saxofone, uma das quinhentas versões de Tom Jobim e da sua, por vezes, irritante Bossa Nova. Foi a fórmula encontrada pelo dono do quiosque recuperado, para chamar malta. E resulta. Ainda que do cimo do coreto quase consiga ver o brilho do suor do anafado senhor. Mas dizem que o café que dali sai é bom. Ainda não experimentei porque está sempre pejado de yuppies.

Duas borboletas ultrapassam-me pela direita já a contornar a escola. A de asas douradas é bastante rápida. Deve ter deixado a fase crisálida recentemente. Ainda assim parecem bastante divertidas, as maganas. Assustam-se com a cor do verde das bandeiras, que passam presas nas costas de duas brasileiras, e passam para o outro lado da estrada.

Entro no Minipreço e desapareço na confusão de pacotes de bolachas. Já não têm Cream Crackers e a marca deles não tem metade do sabor. Levo as….argghh…integrais. O que não mata engorda.

A friend in need is a friend indeed

Este video estava nos meus rascunhos desde o ano passado. Sozinho, sem palavras que o acompanhassem, sem um título assaz interessante, como o que acabei de escrever ali em cima, descaradamente roubado aos Placebo. Se calhar estava previsto um texto todo catita, digo isto porque o título é demasiado bom para ser gasto num post banal. Mas é o que acaba por  aconteceR. Fever Ray é um gosto recente. Sou sempre o último a chegar lá.

Boa ponte a todos. Tirando a dos cadeados em Paris. Sim,  a do amor. Diz que ruiu parte do gradeamento. São algumas centenas de juras de amor eterno que se perdem para sempre. Disseram-me que para já não corro esse risco. A parede dos amantes em Verona ainda está de pé.

 

Ups and downs

sunset

Tenho uma relação de amor ódio com o pôr do Sol. Amo e odeio várias coisas como qualquer meu semelhante, mas esta relação é especial. Já fui feliz a olhá-lo, já me fez bastante infeliz por para ele ter olhado. Em 2003, ia apressado ter com uns amigos. O motivo não me trazia grande interesse, tratava-se da final da Taça Uefa entre o Porto e o Sevilha. Saí bastante atrasado do trabalho. O interesse era quase nulo porque apesar de ser a cidade onde nasci e cresci, a minha cor de eleição futebolística é outra. Mas estar com os amigos a beber e a mandar postas de pescada a ver futebol, era das coisas de que mais gostava na altura. A meio do caminho e com o Sol a caminhar a passos largos para Oeste, a sua imensa luz ofuscava-me os olhos sem óculos. A velocidade não era muita, num trânsito ligeiramente compacto, mas a verdade é que só me apercebi da gigantesca traseira daquela fatídica Ford Transit quando já era tarde de mais.

Foi um adeus prematuro ao meu primeiro carro, um Clio cinza a diesel. A frente ficou incrivelmente perto dos meus joelhos, e enquanto cuspia atrapalhado os vidros estilhaçados da boca, maldizia aquele momento. Foi mais fácil atribuir a culpa ao pôr do Sol, que matreiro me cegava, mas foi ainda mais difícil convencer o dono da Ford Transit a dar-me boleia até casa, que lhe ficava em caminho. Fiquei sem carro, arranhado na cara e o Porto ganhou a Taça Uefa.

Já me disseram que me preferiam como amigo ao pôr do Sol. Foi na praia da Aguda, perto de Gaia. Ela achou que éramos demasiado amigos. Que provavelmente se estragaria uma linda amizade. Eu, ingénuo, achava que sim, que não se conseguia amar a melhor amiga, e anui. Felizmente o tempo mostrou-me a possibilidade do contrário. É tão fácil amar a melhor amiga.

Mas também já fui muito feliz a ver o pôr do Sol. Em flashbacks na praia, com amigos, demasiado abraçado pelo bafo de Baco; de mãos dadas a onze mil metros de altura, a caminho das Arábias, naquela que se revelou a viagem da minha vida. Vi-o desaparecer nas montanhas de Wadi Rum, o deserto do Lawrence da Arábia; presenciei o seu ocaso enquanto subia o Ben Nevis na Escócia. Dei por ele a desvanecer-se enquanto praticava o amor numa varanda em Taormina, na Sicília. Por isso nunca saberei se o meu amor ao pôr do Sol suplanta o ódio que também lhe sinto.