E se um desconhecido te oferecer ganza, isso é…constrangedor.

Já te tinha topado, ainda tu estavas a tentar vender a “mercadoria” ao tipo de boina a uns metros de mim. Tinhas um ar quase normal, ainda que sebento. Como quem apenas toma banho quando a chuva é demasiado forte.  Lembro-me de ter pensado se não seria demasiado cedo para transacções daquelas.

Quanto mais te aproximavas, mais eu me apercebia da real necessidade que tinhas de um banho, e achava que seria  impossível que me fosses perguntar o que acabaste por fazer segundos depois: “Jovem, queres comprar?”

Em 2002, teria achado normal a abordagem. A roupa preta, as Doc Martens, ou mesmo o cabelo pelo rabo, tornavam-me num alvo fácil para estes tipos. Era um estereótipo andante.  Ainda que não o fosse.

Mas não. O eu de 2012 dificilmente seria reconhecido pelo de 2002. Aliás, se se cruzassem um pelo outro na rua, não se reconheceriam. O de 2012 é tão diferente que até poderia ser confundido com um metrossexual.

É da crise, pensei para comigo. A puta da crise já obriga os gajos que vendem ganza a dirigirem-se a qualquer alvo que mexa. A troika fodeu o tráfico de haxixe. Já o ainda passar por jovem foi porreiro da tua parte. Obrigado e boa sorte nos negócios.

 

Aqui no meu Gulag toda a gente se dá bem…

É mentira. A aura desta pequena Dinamarca onde me encontro, é tão podre que fede. Toda a gente se dá bem, mas toda a gente faria sem hesitar uma gravata colombiana no parceiro do lado para parecer pro-activo. Puta de palavra. A quem nunca apeteceu colocar cianeto no copo de água de um colega de trabalho, com a mania de andar sempre com a pro-actividade na boca, que atire a 1ª pedra.

E ainda não são 11 horas de 2ª feira. Vai ser uma longa semana.

Nota de rodapé: Obrigaram-me a ver o Beginners este fim de semana. Adormeci uns 2 minutos. Podem chover as críticas. Em abono da verdade gostei da Mélanie Laurent. Era quantas vezes ela quisesse.

Lembrar-me-ei de ti quando quinares…

Sou uma besta. Facto incontornável.

Tivesse eu a facilidade em fazer amigos como evacuo, e teria mais amigos do a Lady Gaga no facebook. Mas não. O Sasquatch que existe em mim torna-me um perfeito anti-social. Os anos passam e vou deixando cair os poucos amigos que fiz. Não faço uso das tecnologias para dizer -Olá!, por isso não tenho desculpa.

Recentemente ganhei coragem e telefonei ao gajo que considerei o meu melhor amigo durante anos. Crescemos juntos, brincamos às bandas durante anos, e quando me mudei para Lisboa, ele teve o bom senso de continuar a “brincar” às bandas. Estive com ele da última vez que voltei ao Porto.

Sendo que era o único com genuíno talento, em boa hora o fez. Tocam que se fartam. Consegui estar mais de 2 anos sem falar com ele. Ainda assim a dada altura diz-me que tem saudades das nossas conversas, de mandarmos umas caralhadas juntos.

Não. Isto não é um exercício Alexandre O Grande/ Hephaestion. Nem tão pouco Brokeback Mountain. É o constatar que sou uma besta. E que até consigo fazer amigos. Mantê-los é que está quieto.

“De como uma ervilha na boca do Bourdain, soa diferente na de um Neurocirurgião”

Sorriu debilmente quando o presentei com a pergunta que se impunha? -Ervilha?!?

Deve ter achado a analogia brilhante. Acredito que resulte com a maioria dos seus pacientes, a mim apeteceu-me mandá-lo para o caralho. Imbecil. E simpático. Portanto um imbecil simpático daqueles com que nos cruzamos todos os dias. Mas a culpa não foi dele que nem estava lá. Quando pouco se faz para manter imaculado o corpinho que deus nos deu, os acidentes de percurso acontecem.

L5-S1 é agora uma zona com mácula. Do tamanho de uma ervilha. Filho da puta de vegetal. E eu que as amava com ovos.

Mas a música que imortalizou a Gloria Gaynor aplica-se aqui na perfeição. As always. E quem me tirar o trekking tira-me tudo. Do Bourdain falo depois que estou sem tempo. Siga para bingo.

O cotão, o Pavlov, e a certeza de um fim anunciado.

Dou por mim a passar por ele várias vezes. Ignora-me. Segue o seu caminho. De vez em quando sinto-me figurante num filme do Sergio Leone quando por ele passo. Mas raras são as vezes que não o desafio para um duelo com o aspirador. Sou o gatilho mais rápido lá de casa. Acerto sempre.

É mais forte do que eu. A minha Mãe educou-me de tal forma que já é inconsciente o querer apagar aquele bocado de cotão da face da terra. O Behaviorismo era forte lá em casa. Eu sempre fui um jovem Padawan do aspirador. Felizmente nunca me atraiu o lado negro da força.

O cotão é perene. Descobri isso tarde de mais. Até o cão do Pavlov tinha mais sorte. Acabava por comer alguma coisa no fim. Eu limito-me a esperar pelo próximo bocado de cotão.

Pedi-lhe um livro emprestado

Ela disse-me que não. Porque estava a acabar um Umberto Eco e “O Teatro de Sabbath” do Philip Roth está na pilha como próximo a ler. Bitch please. Eu a precisar de sair da fase cold turkey depois de ter mandado abaixo os 3 do Stieg Larsson, salvo seja, e  ela foi incapaz de perceber isso. E depois queixa-se que eu tenho uma tendência horrível para romances históricos. Pudera! Eu aqui a tentar largar o vicio, e ela constantemente a empurrar-me de volta ao mesmo.

Lembra-te que foste tu a provocar isto.

O gajo que até acha que vai conseguir manter um blog mas a ver vamos.

Vou tentar.

Não vai ser um exercício fácil. Estou perro. A elasticidade mental ficou-se ontem pelo fantástico cruzamento que me deu a vitória por 3-2 aos 88 minutos. O polaco não gostou. Kurwa para ele e para todos os gajos que desistem aos 90 minutos. Obrigadinho pelos pontos.

Sou tão básico, mas tão básico que ainda não mudei o Twenty Eleven 1.3. Este admirável-mundo-novo-dos-blogues-mas-só-para-mim, já me obrigou a isso, um tema catita para cativar ninguém. Pfff. Porque ninguém me conhece aqui no meu pequeno mundo e não vou precisar de ter daqueles tiques de andar a limpar a casa porque estão a chegar visitas. Caguei.

Estou quase a terminar o terceiro. É uma pena o gajo ter morrido. Estou a gostar bastante. Mas podia ser pior. Podia estar a ler Paulo Coelho. E tirando Margarida Rebelo Pinto, não consigo, assim de repente, pensar em algo pior.