Recuerdos

Podem ser apenas pequenos pormenores, como aquela tatuagem de uma meia Lua que se fez com o namorado da altura, aquele que se julgava ser para toda a vida e ao fim de seis meses se mandou dar uma curva. Ficou a incompleta lua, e a vergonha de ter de explicar a terceiros onde está a outra metade (não tenho mas conheço quem tenha). Na maior parte das vezes são invisíveis aos olhos dos outros. O camaleão em mim, aquele que trabalha das dez às seis da tarde, e segue diariamente o rebanho, viu-se na necessidade de absorver quase na totalidade o metaleiro que veio para Lisboa em 2004. Para além de uma trança com trinta e tal centímetros, guardada religiosamente para mostrar às gerações futuras, pouco sobra dessa persona. Mas ele existe em pequenas doses, qual Mr. Hyde dos bonzinhos. Por exemplo na pulseira em couro com nós Celtas gravados, que comprei ali, paredes meias com o Lago Ness. Nunca pensei que esta fosse substituir uma outra que usei durante anos até se desfazer, e que comprara a um cigano em Florença, mas acabou por ganhar um lugar de destaque no meu pulso.Trouxe a Escócia no coração e no pulso. Somos inseparáveis eu e ela. Tirando daquela vez em que pensei que a tinha deixado num Hotel em Aman, e acabei por dar com ela no fundo de uma Monte Campo. Ó júbilo.

Um amigo foi há uns meses assaltado à porta de casa. Para além do comum rapinanço do telemóvel e do pouco dinheiro que trazia, levaram-lhe um cebola enorme da Citizen que trazia no pulso. Pediu encarecidamente para não lho levarem porque já não funcionava mas tinha sido herança do avô que já partiu. O gatuno não se comoveu e levou tudo. Ficou mais triste pelo relógio que pelo telemóvel da maçã. Os acessórios enquanto recordações têm em nós um curioso poder. Vocês têm algum?