A mão que embala o livro

carryingbooks

Apercebo-me agora que de facto este Inverno está a ser mais longo e frio do que é suposto. Não porque tenha mais frio ou algo do género. Nunca fui muito piegas com lamechiches acerca de temperaturas baixas. Dou graças pela minha temperatura corporal me permitir estar sempre bem nesta altura do ano, e ajudar a que terceiros se aqueçam ao colarem-se-me ao corpo. Mesmo à lapa.

Este Inverno vai longo porque já tenho a mão esquerda seca. Como canhoto que sou, carrego sempre nessa mão os meus  Zafons, os meus Ken Follets, e outros básicos que tais. Ando preguiçoso com o que leio, o que querem? Crucifiquem-me mas têm sido os companheiros ideais de viagem nos últimos tempos. Dizia eu que a mão canhota padece de cieiro, e pele seca, enquanto a sua irmã dextra descansa no conforto quentinho do bolso dos casacos e sobretudos. Nem parecem as mãos do mesmo corpo hospedeiro.

Quiseram oferecer-me umas luvas em pele. Recusei. Tentaram que usasse Neutrogena. Não quis. Prefiro assim. Gosto que as minhas mãos não estejam iguais. É quase uma dupla personalidade ao nível do tacto. A esquerda é a do lenhador. A direita é a do cromo que passa oito horas em frente ao computador. Ainda que lá fora chova.

Forever failure

Estou para aqui a ouvir a “Forever Failure”, num Best Of de Paradise Lost.  Já saiu em 2011 cheio das músicas boas deles, mas tudo remasterizado. Não me consigo lembrar em que altura da vida terei deixado de ouvir heavy metal até os meus timpanos sangrarem. É um disfemismo fajuto mas eu ouvia aquilo 24/7. Ou quase. De quando em vez bate uma saudade daquelas e volto a sangrar dos ouvidos.

É mais uma manhã de chuva como têm sido todas as manhãs por aqui. Reparo nisso não porque insista estupidamente em não andar de chapéu de chuva atrás, mas porque ando a comer muitos bolos. O mau tempo faz-me fome e viro-me sempre para os pobres dos bolos. Meço a quantidade de pluviosidade em redor pelo rácio de Jesuítas, Bolas de Berlim, e Rosas que como. Sim o nome é Rosa. Já estou para aqui a salivar. Uma massa folhada fofinha dobrada para dentro em quatro com um creme de pasteleiro do melhor que há. Não sei se existe em outro lado, é provável mas nunca vi. Em frente aos chulos da SPA, na Gonçalves Crespo, fica a pastelaria Mátria. Ide. Ide e perguntai pela doce Rosa. Garanto-vos que não vai aparecer uma cozinheira cabo verdiana. É mesmo um bolo.

A minha amiga hérnia anda a dar sinal de vida novamente. Tenho a perna direita dormente mais vezes do que gostaria. Ando a adiar uma ida ao neurocirurgião. Vai dizer-me o que já sei, que ir à faca é imperativo e quanto antes melhor. Vou empurrando com a barriga. Com a quantidade de bolos semanal que enfardo, mais cedo ou mais tarde este ditado vai ser mesmo uma realidade.

Que querem que vos diga? Para mim um blog também é isto. Vir para aqui falar de merdas que me interessam a mim e a mais ninguém. Se queriam ver aqui opiniões pessoais acerca das merdas que se vão passando por aí, não vão ter. Se queriam aqui odes às Mulheres deste mundo, não vão ter. Se me lêem com atenção, verão que setenta por cento do meu blogue já é por si só uma continua hommage às donne.