Valhalla Rising

 

Desta vez o Hannibal não comeu ninguém em finas lascas de coxa de gaja, marinadas num magnifico Chateau Rauzan Segla da zona de Bordéus, nem sequer passeou elegantemente as suas gravatas paisley pelos cenários, a espalhar charme e a ditar estilos, Não. A dada altura passa-se dos cornos, e, sempre numa contemplativa aura Terrence Malickiana a anteceder lutas, rebenta aquela merda toda.  O filme é de 2009 e gostei bastante.

Frances Farmer will have her revenge on Seattle

O ano passado por esta altura tive uma fase igualmente merdosa no que ao blogue diz respeito. A minha cara metade laboral foi novamente três semanas de férias. Ainda estou a tentar assimilar que escrevi cara metade e laboral na mesma frase e não fui logo apagar. A grande cabra deixou para as últimas duas horas antes de entrar de férias, a decisão de me “passar a pasta” do último ficheiro da moda cá do sítio, o mesmo que bem feitinho, vai salvar as criteriosas análises aqui do departamento e descansar os SEO’s e os seus egos. Ao invés de mandar foder isto tudo e cortar os pulsos, tentei perceber  bem as vlookups para não fazer merda. Avisaram-me logo que ela não me queria passar isto porque dá visibilidade. Uma querida portanto.

Este blogue passa, de tempos a tempos, por fases merdosas. E nem posso dizer que seja por “bloqueio criativo”, tenho ali montes de rascunhos que arranjadinhos e com umas tiradas a armar, alimentariam a coisa durante uns tempos. A verdade é que o tipo por trás deste espaço passa por fases em que ignora completamente que tem um blogue, e pasmem-se, não lê blogues.

Momento de descontracção. Pausa para apreciar coisas bonitas.  Está ali no fim do post. Estou a brincar aos widgets do wordpress.

Nada de relevante a acrescentar. Fui apanhado numa casa de banho a trautear a B e A, B e E, BABE, B e I, BABEBI, B e O, BABEBIBO, B e U BU, BABEBIBOBU. Quem conhece sorri, quem não conhece ignora e passa a frente. A vergonha não foi muita porque era um pai acompanhado pelo filho. Numa outra situação, à espera de um elevador, e julgando-me sozinho, simulei aquele recuar do Cristiano Ronaldo antes de bater os livres. Não estava sozinho. A minha única desculpa é o primeiro parágrafo ali de cima.

 

 

Enquanto dormias

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Enquanto dormias fiz pela vida. Voltei a pegar no Bayern de Munique, depois de várias desavenças com a prestação do Mário Gomez. Tentei jogar com o Borussia de Dortmund mas estava sempre a levar na bolha. Ninguém gosta de estar sempre a perder. E a levar na bolha. Tirando o Sporting. Voltei aos bávaros. Concentrei-me nos jogos. Fiz bastante pressão alta, seguido de contra-ataques ponderados e passes em profundidade para confundir as defesas. Na verdade é a defesa, uma vez que noventa por cento dos jogadores online de FIFA 2013 jogam com o Real Madrid. Isto é um facto. De modos que consegui finalmente subir à primeira divisão. A foto ali em cima atesta a veracidade da coisa, e provavelmente torna este parágrafo em especial, no mais kitsch e geek que tenho escrito nos últimos tempos.

Enquanto dormias fui beber uma Carvalhelhos para a janela aberta da cozinha. O ar fresco contrasta com o quentinho parvo da sala. O contraste da água fria pela goela abaixo provoca-me aquele fenómeno parvo de ficar logo a suar. Vejo um vizinho a tentar estacionar. Ou vem bêbado ou merece um video no youtube só para ele. Volto a abrir o frigorífico e como metade de uma cenoura. Se o Bugs pode, eu também posso.

Enquanto dormias li umas quinze páginas do Easy Money do Jens Lapidus. Tenho de largar esta estúpida obsessão com policiais suecos. Mas aquela merda é tão boa e fácil de ler que não resisto. É como estar em frente à vitrina da Mátria a olhar para os bolos e pensar: é só mais um. Não é nada pá. É mentira. Acabas sempre por comer mais um caracol.

Enquanto dormias sentei-me uns minutos a ver o Brat Camp na SIC Radical. O filme eróticó-chunga da CM TV deu-me vontade de rir. O Brat Camp também mas por diferentes razões. Aqueles putos são os estereótipos das novas gerações a quem dão tudo, e a quem nada falta. Com quinze anos andava a tentar convencer a minha mãe a deixar-me ir ao café da rua durante uns minutos e levava com um redondo não. Com os mesmos quinze anos, este putos fumam, bebem, fodem, dão na coca, mandam foder os pais de minuto a minuto,  saem à noite e não voltam para casa. Incrível. Eu só fodia. E mal. Culpados: os Pais benevolentes que estão a colher o que semearam.

Enquanto dormias, decidi que já eram horas de também dormir. Deitei-me a teu lado, afastei-te a perna quente do meu lado da cama, não sem antes a afagar. Beijei-te o rabo, as costas e o pescoço. Carinhosamente. Tu grunhiste. E depois adormeci.

Este post surge apenas como resposta a um comentário. -Não ficas aí a fazer nada!!- 

The end is near

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Numa rápida e errada assumpção, poderão vocês estar já a pensar que não faço outra coisa, que não fotografar a chungaria e a labreguice que me salta diariamente aos olhos. É uma meia verdade. Sou bastante selectivo naquilo que fotografo. Não fotografo toda a chungaria. Tenho os meus critérios, e se fosse de outra forma, enchia rapidamente a memória do cartão mini-SD do telemóvel. Tenho sempre alguma dificuldade nos enquadramentos, é certo, mas é isso ou a possibilidade de ser catado e levar uns sopapos. Como o gajo das gasosas no post de baixo. Fingi que estava a fotografar o Panda. Sucker. Adiante.

Calhou de estar na fila dos CTT para comprar um vale postal. Isso é outra merda. Os vales postais podiam estar ali ao lado, na máquina que vende selos, mas não, tens de aguardar na fila, juntamente com a malta do rendimento mínimo e os reformados. Mas esta reivindicação dá para outra história. Estão trinta graus lá fora e ainda não são dez da manhã. Aqui dentro o calor é menor, mas o cheiro a catinga é perceptível, e a combinação destes dois factores torna a velhada toda irritadiça e reivindicativa. Toda a gente berra. E depois ele entra. E toda a gente se cala. Mas não vem sozinho. Trás a fera com ele. A malta não se apercebe de que se trata de uma besta e acha fofinho. Totós. Eu percebi logo, que a mim ninguém engana. O Hemingway da Margem Sul, anda a treinar o “gatinho”.

Daqui a alguns meses, quando sairmos da moeda única, vai ser o descalabro. Não vamos passar a viver num país em estado de guerra, nem vamos acordar de manhã e ver a nossa rua transformada a la Cormac Mcarthy. Mas vai ser habitual vermos batalhas campais à porta dos bancos. Vidros partidos, segurança reforçada, tumultos, a malta com parcas economias a tentar tirar os míseros tostões, insuficientes para meter numa off-shore. E depois chega o Hemingway da Margem Sul com o Besta. Sim, tem tudo para lhe chamar Besta. Até ia chamar ao post El dia de la Bestia mas depois mudei de opinião. Play along. Reparem que ele andou este tempo a habituar o bichano a multidões enraivecidas. Começou pelos CTT em dia de rendimento mínimo, de seguida a sala de espera do Garcia de Orta, e variadas multidões no Cais do Sodré em dia de greve do metro. O bichano está mais do que preparado.

Hemingway chega, afaga o pelo de Besta, este ronrona e desvia a atenção dos contendores. Reparem que neste momento toda a gente está inebriada com o gatinho, foram muitos anos de Facebook e gatinhos. Num repente, Besta assanha-se, mostra as unhas afiadas, e ataca sem olhar a cor, credo, ou idade. Besta é imparável. Foi criado para este momento. Hemingway entra calmamente, não tira senha porque é o único cliente, cumprimenta os amedrontados bancários, e procura a sua caderneta da CGD. E procura. Remexe os bolsos. Impossível. Meses e meses de preparação para este dia. Puta que pariu a CGD e as cadernetinhas deles. Tem de voltar a casa. Sai porta fora. –Besta!! -Larga!! Besta larga o pescoço ensanguentado do segurança e salta novamente para o ombro do dono.

 

 

 

Ligações em cadeia

Estava para ali a procurar um video para exemplificar de como Rectify, para além dos ingredientes necessários para ser uma grande série, tem também uma banda sonora excelente. E até encontrei o video que queria. Mas era uma grande seca visual.

Depois encontrei este video no Vimeo e fiquei automaticamente deprimido. Porque estes videos mexem comigo. É um daqueles videos em que te apercebes de como estás a deixar passar o teu tempo. Tens a noção de que acabas de ter uma depressão cliché, e que rapidamente passará depois de  dois minutos a ver Road Rages na Soviet Russia, mas ainda assim chateia.

Foda-se. E é logo um video do Chile e da Patagónia, uma das três que vão ficar eternamente na gaveta como plano.

E agora com licença que vou auditar aqui umas vendas.

 

Belém, 30 de Junho, ano da Graça de Nosso Senhor de 2013

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O Panda faz playback, as miúdas que apresentam deviam ter a boca fechada a mascar chiclete. Valeu por duas ou três MILF’s jeitosas, e aqui pelo bucha da foto que bebe demasiadas gasosas. Tive receio que ao tirar a foto ele me visse, mas continuou sempre a curtir, alheio à sua própria chunguice. Fiquei com comichão nas pernas de estar sentado na relva, a mini presidiária delirava em êxtase, embrenhada na selva. Dei por mim a matutar, interrompido apenas por um encontrão em sobressalto, da real necessidade de um estudo, da imensa profusão de chinelo e salto alto.

Um brisa soprava leve, trazendo consigo almíscar e sovaqueira, uma jovem de tattoo Hello Kitty embalava o rebento, que num pranto nos moía a mioleira.

Encontrado o pretinho perdido, quiçá distraído pela palhaça de mamas empinadas, devolve-se o pretinho à mamã, que o recebe com carinhosas chapadas.

Do alto do insuflável da girafa, a miúda chorona e medricas acena ao papá, o gajo salta lá para dentro para “salvar” a filha, e faz uma cena de cacaracacá.

Como experiência social, o Festival Panda é fixe, cabem lá todos os extractos, desde o pauvre ao riche. 🙂