Bonner

Pronto. Era só isto. A Melissa “estreia” o regresso da rubrica divas do rock à sexta-feira. Podia ser à Quinta, à Quarta, enfim, quando elas quisessem.  Está bem, está bem, tenho uma coisa por ruivas. Mas a música também merece.

Cast Away

Castaway

Já não me recordo muito bem de como vim aqui parar. Os dias, os meses, os anos passaram. Fodasse. Os ANOS. O tempo fez o trabalho do costume e esqueci-me. Do que vim para cá fazer, por exemplo. As premissas diluíram-se, os projectos foram engavetados, e aquele discurso cliché na entrevista para emprego, o da pergunta: –Onde se vê daqui a cinco anos?-, torna-se agora patético e deslocado.

Não estou sozinho nesta ilha de 6 metros quadrados. Antes estivesse. Na verdade isto é um pequeno arquipélago. São 6 pequenas ilhotas, repletas de personagens secundários daqueles mesmo merdosos, que não interessam nada para a trama deste post.  Debrucemo-nos pois sobre os meus vizinhos de ilha. Prometo ser sucinto. De um lado, uma inapta social. Não ri, não chora, pouco fala, coça o nariz constantemente, e limpa a cera dos ouvidos com um pequeno pedaço de papel que habilmente transforma em cotonete caseira. Isto numa base diária. Tem este toque de telemóvel que toca religiosamente às dezoito horas, a hora a que a mãe lhe telefona para perguntar o que fazer para o jantar. Aprendi cedo a não gastar boas piadas com ela. Uma parede ria mais.

Do outro lado temos o programador. Toda a gente tem um programador. O Neo concordaria comigo num ápice. Este programador é igual aos outros programadores todos que vocês conhecem. É estranho. Julga ter o monitor colocado estrategicamente de forma a ninguém ver os seus tweets, mas topo-lhe praticamente tudo. Inclusivamente a aplicação que instalou ás escondidas no telemóvel da namorada. Liga aquele acesso remoto várias vezes ao dia para ver onde a namorada está, e o que está a fazer. A pobre coitada não faz a menor ideia. Já não bastava ser meio vesga. Haja confiança numa relação assim. Quase me esqueço do meu Ateísmo e começo a rezar pelo dia em que ao ligar aquilo, a primeira imagem a aparecer seja a da namorada agarrada a um qualquer mangalho alheio.

No fundo o segundo e terceiro parágrafos são subterfúgios para a dura realidade do primeiro: estou farto desta merda.

Blog in a bottle

Honorato

Nuns dias penso que coloquei este blog numa garrafa e que o atirei ao mar, ali para os lados da Costa. Foi bom enquanto durou, deu-me alguns bons momentos, diverti-me durante outros tantos, mas numa vã tentativa de acabar com ele, deixei de escrever e atribui essa falha à falta de tempo. Mas tal como a constante ondulação na Costa, pelo menos por estes dias, o raio da garrafa volta sempre aos meus pés, tornando-se difícil o desmame. Consigo estar um mês sem escrever nada, consigo estar todo esse tempo sem ler blogues. Mas não me consigo ver livre da culpa. Do abandono. Da falta de limpeza. Sobretudo da falta de limpeza. Se me dessem um euro por cada comentário spam que ainda hoje apaguei, daria para levar a maior parte de vocês ao Honorato para comer um BOM hamburger.