Slot Machines

As minhas botas novas pedem-me desafios. Eu só pedi para não ter de pagar IRS este ano. A coisa lá se conjugou. Para o ano vou abrir o ficheiro word “sítios onde quero ir caminhar antes de morrer”.  O parque Zion é o segundo nessa lista. Faço a viagem por novecentos euros se reservar uns meses antes. O aeroporto mais próximo é o McCarran International Airport, que por coincidência fica em Las Vegas. No caminho para o casino, passo por sete imitadores do Elvis Presley. O segundo era o mais parecido de todos apesar de ser o que tinha mais barriga dos sete. A poupa faz toda a diferença. Olhei para as texanas do quinto Elvis e lembrei-me que também usei texanas durante uns meses. Que figurinha. Ainda bem que não existem fotos a comprovar. Falava de Las Vegas. Faço um guito extra no blackjack. Não. Pensando melhor,  será preferível tentar o poker.  Com os poucos dólares amealhados alugo um sedan a cair de podre, encho o depósito numa bomba da Shell, sou olhado de esguelha como nos filmes, pago e faço-me à estrada. Tem de ser à filme. De Las Vegas ao Utah são duas horas e vinte e sete minutos. Sem paragens.  É estúpido passar ao lado do Grand Canyon e não ir lá espreitar e fazer um yodelayheehoo, que por acaso é mais berro para a Suiça, bem sei, mas sou um gajo com uma missão. Depois de chegar ao parque é partir para a aventura. O resto logo se vê. Espero que ninguém me game o sedan. Ninguém rouba carros velhos. Será que no Utah roubam sedans a cair de podres?

Note to self- Aprender a fazer vias ferratas decentemente.

Some things will never change

Em 1994, diziam os Meat Puppets no refrão da faixa “Backwater”, que “…Some things will never change…They just stand there looking backwards…”. Ontem andava a trautear este refrão e enquanto o fazia,  apreciava os últimos gossips daqui do local onde venho diariamente penar, e onde me penitencio por não ter escolhido uma carreira decente.  Antes, para que tudo corresse pelo melhor, fosse para a chuva que tardava em chegar, fosse pelo filho tísico e enfermo que se queria milagrosamente recuperado, ofertavam-se bens a uma qualquer divindade, a um ser que se imaginava magnânimo e superior.

Os Incas ofereciam sacrifícios humanos e animais para que as suas colheitas fossem férteis, ou apenas para vencerem a batalha com a aldeia vizinha. Os Egípcios faziam ofertas de alimentos para agradar aos seus vários Deuses, Ísis, Osiris, Hórus. Tirando a Cleópatra, que não sendo originalmente egípcia, vivia no meio deles e fazia das suas pernas bem torneadas e abertas, a melhor oferenda que se possa imaginar. Dizem, porque eu não vi mas acredito. E acredito porque isso me leva ao post e ao título de hoje.

As coisas realmente não mudam. Hoje em dia um par de pernas abertas ou de joelhos, ainda tem o poder que tem. Este texto não se quer sexista, limita-se a uma descrição de factos, que provoquem no leitor o retirar das suas próprias ilações. Descrição sucinta: imagine-se o cenário de um determinado lugar de chefia vago. Três possíveis candidatos ao lugar. Dois homens, uma mulher. Por sinal, muito agradável à vista. São os três capazes de desempenharem bem a função. Essa “Cleópatra” dos tempos modernos, não vai tentar ganhar o trono do Egipto. Mas quer desesperadamente o lugar. Foi vista algumas vezes com o administrador, (papalvo e divorciado), algures na movida lisboeta. Quem é que acham que ficou com o lugar?

Pela parte que me toca até agradeço. Não que esteja à espera de fazer o papel de Marco António nesta história, mas porque acaba por ser um bom colírio para os olhos, tendo em conta a escassez de feminilidade por aqui, versus o rácio do que se pode visualmente apreciar.

 

Rainbow Loom

rainbow

No comboio, no metro, no café da rua, no hipermercado, no local de trabalho, na rua. São demasiadas as adultas que se divertem  com as borrachinhas que o Choon Ng inventou em 2010, e que, para não variar, chegam ao burgo quando praticamente já ninguém se lembra delas. Um pouco ao estilo da hipótese de uma central nuclear em Portugal, quando no resto do mundo já se pensa em fechar as existentes. Quando penso em borrachinhas para diversão, não as imagino no pulso.

E pensar que isto foi inventado para crianças.

De certa forma, deve presumir-se que os homens dessas mulheres respirem de alívio. É mais uma daquelas modas efémeras que surgem de tempos a tempos, mas que ficará por certo, bem mais em conta que a moda das Pandora. Que também andam por aí desde 2000, e chegam a Portugal por volta de 2010.

 

Cold Turkey

5mg

Começo agora a ver o mundo de forma diferente. Na verdade é um regresso ao passado. Um passado recente mas sem dores de cabeça. Duas gramas e meia de manhã desta preciosidade, igual medida depois de jantar. Não admira que esta merda venda que nem ginjas no mundo inteiro. Ainda pensei que fosse apenas um efeito placebo, mas a verdade é que ando sem dores de cabeças desde Quinta-Feira da semana passada.

Sinto-me numa espécie de emulação do Walter White, mas sem a parte da metanfetamina azul e das máscaras. Ok, também não tenho uma esposa que apetece esmurrar a cada episódio como a Skyler White. A mim basta-me uma boa faca de cerâmica. Só para não desperdiçar miligramas. Corto deliciado o comprimido amarelo com muito jeitinho e engulo-o com a certeza de que o dia será, no mínimo, livre de enxaquecas ou que caraças me andava atormentar.

Por outro lado, e isso acaba por ser o que me leva ao título do tópico, leio por todo o lado que a adição ao diazepam, torna o “desmame” bastante difícil de suportar. Já ando a pensar na maneira como vou lidar com isso. Será como o Renton naquela cena do Trainspotting? Ou será mais simples convencer o neurologista que de facto isto me está a ajudar? É que para além de tudo, sinto-me efectivamente mais tranquilo.

Tolerei bastante bem a derrota na final de Turim, ontem fui apertado numa conhecida rotunda da Margem Sul, onde tinha prioridade, e ao invés de apitar e chamar ao cabrão do Audi, tudo aquilo que ele merecia, dei por mim a sorrir. Será isto ser um agarrado?

Long Hard Road Out Of Hell

Chego ao consultório uns bons vinte minutos antes da hora marcada. O assistente, ou partenaire, ou o raio que o parta, está todo entretido a ver um programa da tarde na TVI, um daqueles enriquecedores de baixos intelectos. Faço-me anunciar baixinho para não o incomodar. Avisa-me que não atendi a chamada do dia anterior. Respondo que não tinha recebido nenhuma chamada do consultório, à excepção de uma chamada confidencial, chamadas essas que não tenho por hábito atender. Devolve-me como resposta, um cínico sorriso daqueles que apetece mesmo tirar do rosto ao estalo, e verbaliza um: “-Não é um problema nosso, a central não deixa passar os números, o doutor queria antecipar a consulta e não ficou muito satisfeito com isso”. Achando que isso iria significar o não me atender nesse dia, preparava-me já para pedir nova marcação, quando o neurologista abre a porta do consultório e me convida a entrar. Entro a matutar se devo ou não mudar este meu velho hábito de não atender chamadas confidenciais.

As dores de cabeça/olhos continuam numa base diária. Tudo o que se podia mudar a nível oftalmológico foi feito, excluídas que estão possibilidades otorrinolaringológicas. Ao fim de dois minutos já me sinto numa daquelas sessões de guia de profissões do secundário, ou lá como se chama. Diz-me que não tenho nenhum tumor ou sucedâneo, caso contrário não me dava tréguas, mas marca-me um TAC só para despistar. Digo-lhe que tem de existir uma causa efeito para além das demasiadas horas em frente a computadores, responde-me que os meus nervos ópticos se devem ter cansado da porrada que levaram e estão a fazer greve por direito a mais férias. O magano do doutor fica bastante feliz com a metáfora escolhida. “-Se calhar devia pensar em mudar de vida, mas eu sei que isto não está fácil para ninguém”. Devia estar a castigar-me por não ter antecipado a hora da consulta. Eu fiquei com vontade de o mandar para o caralho.

Mudar de vida, nesta fase, está fora de questão. Sou mal pago mas pagam a horas. Tenho um bom seguro de saúde, de contrário teria estado oito meses à espera desta consulta. Podia mudar de profissão. Mas profissões que não obriguem a seis, sete horas em frente a ecrãs, não são assim tantas.

Aceitam-se sugestões.

Ps- Pelo sim pelo não, fui presenteado pelo bom doutor com uma bonita droga, de seu nome Diapezam. Sim, essa mesmo. Uma das preferidas dos americanos. Pensava que só era receitado após as depressões. Ainda não estou lá. Ainda.