About ageing

Acabamos ontem a noite numa demanda quase insana, em que lhe mostrava algumas das coisas fixes que ouvia no Walkman na escola secundária. Já eram mais do que horas de estar na cama, mas foi mais forte do que eu. Senti que lhe estava a deixar um bocadinho do meu legado musical. Isto aconteceu porque encontrei o meu velho walkman ao limpar umas caixas, daquelas que aguardam pacientemente anos a fio nos armários dos escritórios, que nos lembremos que elas lá estão. A lembrança na verdade está sempre latente, a vontade em mexer-lhes é que é nula. Está assim ao nível da Ibanez RG470 para canhotos, com picks ups DiMarzi0, que envelhece no estojo. Eram DiMarzio porque nunca houve guito para uns Seymour Duncan, mas isso já não interessa para a conclusão desta história.

Achou aquilo maravilhoso, nunca tinha visto uma K7, quanto mais umas BASF de Chrome das boas. Ficou toda excitada com a velha novidade mas o walkman não funcionava e a excitação deu lugar ao desapontamento. Acabámos no Youtube a mostrar-lhe algumas músicas mas não é a mesma coisa. Lembro-me bastante bem desta fase e das faixas que estavam naquela K7. Eram tempos difíceis, era o desmame pós Nirvana. Esta faixa ali de cima, ficava entre a “Pretend We’re Dead” das L7 e a “The Day I Tried To Live” dos Soundgarden. Ainda se conseguem ler os nomes das músicas, imaculadamente escritas a caneta de acetato.

Terminou com um: “Isto é música de papá?” que me desarmou. “Não, respondi-lhe. Pelo menos não de todos os papás. Mas são do teu, por isso são especiais”. Não soube o que lhe dizer mais.