5 April, 1994

Nunca caí naquele cliché do ter um ídolo. “O meu é este”, “aquele sempre foi o meu”. “O meu paizinho, o meu paizinho é que era”. Não. Mas com dezassete anos, e ainda em busca da minha própria identidade, tentava todos os dias ser o Kurt, versão moreno. Estava tudo lá tirando a heroína. E uma namorada com ar de puta ressabiada.

Admirava imenso o trabalho e o pequeno génio deste tipo. A facilidade com que sacava riffs que se imortalizaram, tornava-o único. Se é isto ter um ídolo, so be it. O meu morreu em 5 de Abril de 1994. E era canhoto, foda-se. Valorize-se o génio dos canhotos. Não vou entrar em questões relacionadas com os porquês. Se foi suicídio, se não. Se foi por culpa da porca da Courtney ou a mando dela, se não. Já não interessa. Acabou.

E eis que se num ápice, 18 anos se passaram. Fuck. Já não tenho a minha T-Shirt poída do Nevermind, e não poderia apresentar-me no trabalho com ela, que aqui mais vale parecer do que ser. Fica o post e a homenagem.

62 thoughts on “5 April, 1994

  1. o kurt era também o ídolo do “biju”, lá na minha escola (diziam elas: “és boum cumo o poum biju, oblá!!”).

    por acaso devo parte da minha awesomeness a esse gajo. a esses. tanto o biju, como o kurt e o tremoço (o homem que fazia mosh à mobília do quarto a ouvir sepultura) foram grandes influências.

    e os canhotos é que rockam. nem à chapada me conseguiram pôr a usar a direita.

  2. Homenagear aqueles que endeusamos, é assumir parte do somos.
    Eu também tive, e tenho um ídolo musical. Conheci-o aí pelos meus 14/15 anos através de um Greatest Hits que comprei com uns cheques-disco que tinha recebido como prenda de aniversário.
    Foi o ídolo da minha adolescência, da minha puberdade, da idade adulta, há-de ser o meu ídolo mesmo no lar onde for internado pelos meus quando a pachorra para me aturarem já for nula.
    Também já não faz parte do mundo dos vivos. Ele. Mas a sua voz, essa, é imortal.

    http://medias.lepost.fr/ill/2009/06/05/h-4-1565690-1244221199.jpg

  3. 18 anos???? Ainda recordo a “consternação” no pátio do liceu…..
    Gosto do blog, lembra-me outros tempos e também gosto muito de Nirvana.
    Recordo-me na altura o que um palmo de cabelo e uma viola às costa podia fazer toda a diferença na vida social de um rapazinho 😉
    ah também sou canhota, mas acordes não é comigo….

  4. Eu tenho nirvana no computador e gosto muito de trabalhar ao som deles. Realmente o Kurt era outro nivel, tinha aquelas caracteristicas todas num pacote para fazerem dele um idolo talentoso, misterioso e lindo de morrer, para alem de ter aquele ar de intelectual sujo que estava muito em voga.

    Ja agora , sou a unica que até gostava da Courtney ? lembro-me de uma amiga ter um album dela de rock (que ja nao me lembro do nome da banda) e aquilo era bom, e como atriz tambem a achava interessante.

  5. Já passaram 18 anos. Incrível. Ainda me lembro de amparar amigas chorosas porque o kurt se tinha suicidado.
    Eu como era mais Eddie vedder do meu coração, passou-me ligeiramente ao lado.

  6. Mais uma que se lembra bem desses tempos. Eu ouvia e gostava q.b., mas também pendia mais para Pearl Jam. E contudo foi ao som dos Nirvana que muito boas recordações que se criaram :))

    • pois é… tambem havia os fans dos Pearl Jam, aquilo era tudo o grunge de Seattle acho eu, acho que era assim que se chamava, eram todos da mesma epoca.
      Mas quem eu gostava mesmo era dos guns n ´roses, (embora nao tenho a certeza se nao apareceram um pouco antes). Eu tinha um fraco pelo Axel Rose, na verdade eu tinha um fraco por um rapaz que tinha um fraco pelo Axel. O que faz de mim uma pessoa sem personalidade propria : (

      • Axel Rose??? aqueles calções de lycra branca…. quem no inicio dos anos 90 não tinha um fraco pelo Axel Rose?
        E o frenesim do concerto quando eles vieram a Alvade, salvo erro…. mas parece que se portaram como prima donas… eu não fui.

  7. senhor Troll gostava muito mais daqueles desenhos da campanha para BILF, para a barra ai de cima do blog (que tem um nome que eu nao sei). Eram muito bons, melhores que a foto da floresta.

  8. Lembro-me deste dia perfeitamente, foi o tema de conversa no liceu, e ninguém queria acreditar, os Nirvana vieram revolucionar a música, com um estilo musical e identidade muito próprios e em que milhares de adolescentes seguiam religiosamente.

    • Rainha St, a quantidade de bandas que usou e abusou dos riffs de guitarra à kurt cobain, davam uma lista interminável. 🙂 Ainda hoje em dia.

  9. Lá venho eu destoar. Mas explico: sou de uma geração diferente da vossa (sou um bocado mais antigo), e estou mais dentro dos conceitos musicais do Francisco, embora o Freddie nunca tivesse sido um ídolo. Aliás, para ser sincero, nunca tive um ídolo. Musical ou outro. Na música tenho vários que admiro, alguns que já bateram a bota. Por ordem: a personalidade de John Lennon; as guitarras de Clapton, Hendrix e Knopfler; a “loucura” de Jim Morrison; o lirismo de Jeff Buckley; a poesia de Leonard Cohen; a criatividade de Frank Zappa; a obra de Brian Wilson e a voz de Tom Waitts.
    Haveria mais alguns, mas fica para a outra vez 🙂

  10. Parece que a minha anterior resposta se dissolveu no espaço. Vou tentar repetir.
    Sou de um pouco mais antiga que a vossa, pelo que a morte do Cobain não me tocou tanto como a vocês. Sempre me interessei muito por música – pena que a minha habilidade de mãos nunca me tenha permitido aprender outro instrumento que não a campainha de porta – e conheço razoavelmente a música anglo-americana, desde os Mississipi Blues até ao que se faz agora. Mas nunca tive um ídolo. Admirei, isso sim, vários. Da personalidade de John Lennon ao lirismo de Jeff Buckley, passando pelas guitarras mágicas de Hendrix, Clapton ou Knopfler, passando pela poesia de Cohen, a voz de Tom Waitts, a complexidade de Brian Wilson, a obra de Frank Zappa, e mais recentemente pela criatividade de Ryan Adams, a melancolia de Stuart Staples ou a profundidade de Nick Cave.
    São muitos, e seria impossível elevar um acima dos outros.

    Ah, e claro que estou de acordo com o Francisco, o Freddie tinha uma voz do outro mundo 🙂

    • Knopfler? muito bem, sim senhora. Para mim é genial. Dire Straits são uma banda e tanto.

      Ah, e o FMercury era TODO do outro mundo 😉

  11. A 5 de Abril de 2012 descobri que tinha a mão direita fracturada. Sorte que sou canhoto e que posso vir trabalhar com a camisa de flanela à lenhador…

    Em termos de paralelismos manhosos é o mais longe que consigo ir.

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