Atado a ti, ou “Como fazer um bom Nó Corrediço”.

No ano de 1997 de deus nosso senhor, conheci a Cláudia. A Cláudia era uma yuppie gira. Mais ou menos. Para os padrões de 1997 era gira. O gosto e o requinte pelo sexo oposto e suas virtudes e encantos, só o fui melhorando com os anos. Vamos dizer que era mais ou menos gira. Era de Braga e ia ser advogada. Eu da Cidade dos Arcebispos só conhecia o São Bento da Porta Aberta, por isso, e em nome do conhecimento, deixei-me ir. Várias vezes.

Nos idos de Maio desse ano, já o calor do Sol aquecia os corações dos passarinhos e as joaninhas-macho tinham brincado imenso com as joaninhas-fêmea. As Louva-a-Deus fêmea há muito tinham comido as cabeças aos totós dos machos e as andorinhas já se tinham fartado de cagar os beirais das casas. O meu andava frio como sempre. Ébrio e decidido a queimar neurónios, arrastava-me numa das várias festas de caloiros da capital do Norte.

Ela veio ter comigo a meio do terceiro shot de Gold Strike. Ainda bem. Um quarto e ter-me-ia vomitado todo, que aquilo bebido como mandam as regras faz mossa. Sorriu-me. Vi logo que era mais velha. Não pelos dentes ou rugas, ou outro sinal de velhice mas pelo à vontade com que se me dirigiu. «Agarrava-te nesse cabelo e nem sabes o que te fazia». As jovens com que me havia até então cruzado, nunca se me tinham dirigido daquela forma. Creio ter anuído. E assim fez. Durante três meses. A carne é fraca bem sei. O cabelo, esse era forte e aguentou bem. Mas do alto dos meus 19…anos, comecei a achar aquela relação saudável. Aulas, almoço, lição de anatomia. Introdução ao prazer, almoço, nós de marinheiro para totós. Kamasutra 1.0, almoço, Técnicas de massagens.

A vida era boa. E as joaninhas, tal como eu, continuavam a fornicar. Era uma festa. Pelo menos era o que eu achava. Aparentemente a Cláudia de Braga não era da mesma opinião. Decidiu partilhar isso quando acabou de me amarrar à cama com umas meias de lycra. (O Nó borboleta é difícil de tirar, descobri depois). Achava que a relação tinha estagnado. Que era meramente física e que estava à procura de mais. Foda-se. Eu tinha dezanove anos sua doida. Usaste-me. (Nem te cheguei a agradecer decentemente by the way). Ias de férias para Espanha e algum tempo de separação só nos ia fazer bem. Tivemos nesse dia a última lição. Já as tua férias devem ter durado até hoje.

Cláudia, não te consigo dizer o mesmo que disse à Vera. Ensinaste-me a fazer uns nós corrediços muito bons. Agradeço-te por isso se algum dia leres estas linhas. As Louva-a-Deus continuaram a arrancar as cabeças dos machos nesse Verão. O Gold Strike nunca mais teve o mesmo sabor.

 

29 thoughts on “Atado a ti, ou “Como fazer um bom Nó Corrediço”.

  1. Todos nós aprendemos sempre alguma coisa nestas alturas. Verdinhos ou não.

    Nem que seja para saber como não fazer com o(a) seguinte. 🙂

    Ri-me bastante com as andorinhas e as Louva a deus. 🙂

  2. A mim arrepiam-me sempre os nós corrediços. Deve ser efeito de ver os CSI ou as Mentes Criminosas. Agora já há umas algemas peludas muito jeitosas.
    Perdem-se umas coisas, ganham-se outras. Foi-se a Cláudia, mas agora tens as NA (nalgas anónimas) e a bela companhia dos velhotes da natação.
    De qualquer forma, não sei se já reparaste, mas agora, no estado em que tens as costas, todas as elucubrações ou tentativas de posições mais arriscadas, podem ser a morte do artista…

    • Algemas nunca desbundei. Se calhar por também ver as Mentes Criminosas. 🙂
      Tenho a impressão que com os NA fiquei a perder.
      As costas não estão assim tão más. Não posso correr. Em relação ao resto, dá para os gastos. 🙂

    • Obrigado, S*.
      De todas as experiências que vamos tendo ao longo da vida, temos de tentar tirar sempre ilações. Para ficarmos vacinados. Esta não foge à regra.

    • Alexandra, era o que estava mais à mão. 🙂
      Os nossos eus aos 19 eram bem mais inocentes que os outros que têm actualmente19. 🙂 Pelo menos eu era.

    • Olá Anouc, bem-vinda 🙂
      Confesso que deverão existir piores formas de se ser usado. Eu na verdade deveria ter-lhe agradecido. Ela é que não deixou. Pode ser que venha aqui ler.

  3. Como é que alguém conhece o São Bento da Porta Aberta (que, by the way, não fica em Braga) e não conhece Braga??? Espero que não tenhas ficado com má impressão das mulheres de Braga, não somos sempre assim…

    • Bom dia, Anónima.
      Confesso que conheço mal Braga. Em compensação gosto de pensar que conheço o Gerês como a palma das minhas mãos.
      Mas eu não fiquei assim ttttão mal impressionado com as mulheres de Braga.
      Isto podia ter sido encarado como uma Ode à inocência, ou coisa que o valha. 🙂
      Bem-vinda.

  4. de alguma forma andei praqui e não vi este post – sacrilégio x)
    aviso desde já que uma das minhas lines foi “arrancava te esse piercing à dentada” – era na orelha, mas não foi um Cláudio… foi mais um Vero, sem o ser. no entanto, apreciámos a experiência – o único nó que ficou foi um nó cego, ainda não sei se na cabeça ou no meio do peito.

    • Esses nós cegos são os piores, ml 🙂
      Bem-vinda.
      Eu na verdade também apreciei a experiência. Várias vezes. Se assim não fosse, não tinha “lá voltado”. 🙂
      Ui, essa do arrancar piercings à dentada…nice. 🙂

    • Foi duro, prezado, foi duro. Mas aos 19 é sempre duro e ela parecia gostar bastante.
      Foi um curso intensivo que tem dado frutos. Foi um bom investimento.
      Bem-vindo. 🙂

  5. Pois é, os infinitos CSIs vieram matar uma serie de coisas.
    Nunca me amarraram, mas senhores garanto-vos, que se agora num quarto com luz difusa, viesse um homem com uma corda, garvata ou uns atacadores de tennis e me disse-se : Vem cá que eu vou amarrar-te…… eu saia de lá aos gritos!!!!!
    Mudaram a minha vida os CSIs , e nao foi para melhor

    • Sim, de facto não é fácil com as séries de serial killers.
      Mas naqueles tempos essas séries não estavam na moda, era mais fácil aceitar ser-se amarrado. 🙂

      Bem-vindo(a).

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.