Burbujas de amor

Quem nunca dançou agarradinho ao som desta balada, nas festas da escola, que atire a primeira pedra. Ultrapassada a vergonha, ultrapassado o calor e a humidade juntos, no bar da escola transformado em discoteca, ultrapassadas as paredes a escorrerem os humores corporais, a malta alinhava. Era kitsch? Era. Seria corny? Certamente. Mas era o início da década de noventa. As miúdas estavam a largar as amarras das permanentes. Começavam as franjas esquisitas (outra vez na moda curiosamente), mas o que de interessante elas tinham nesta altura, não eram os cortes de cabelo. Eram as feromonas que ditavam as leis, e a malta, sedenta de novas experiências, e de uns nada inocentes apalpanços, sujeitava-se a tudo. Mesmo a dançar Juan Luis Guerra.

Eu dancei ao som de “Borbujas de amor”. Esta música é um dos meus reflexos condicionados privados. Sempre que calha em ouvir esta música, estou novamente a dançar agarrado à Susana, à Estela, e a outras que o tempo me fez esquecer. Numa tarde, esta música devia passar umas cinco vezes. E a malta aproveitava. Mas eu não era, (e não sou), pé de chumbo. Fazia bem a minha parte. E dançava com elas. Mas não estava à procura de louros ou de palmas. Só queria uma oportunidade para estar ali, coladinho às mamas suadas delas. Obrigado, Juan Luis Guerra.

29 thoughts on “Burbujas de amor

  1. Gastei a cassete BASF chrome onde tinha esta música gravada. 🙂

    Nunca a dancei com nenhum rapaz, mas fartei-me de dançar com as minhas amigas.

    PS- Eu tinha uma franja esquisita, e ainda a mantive durante mais uns anos…

    • Fiona, BASF chrome? Que fina, eu tinha daquelas maxell de ferro rascas e tava a andar.

      A malta dizia que as ferro davam cabo das cabeças dos leitores mas não havia guito para mais. 🙂

      Eu também dancei com amigas. Suponho é que não fossem as tuas. 🙂

  2. aiiii o que eu me ri agora, é verdade essa musica fazia suspirar.

    Eu tambem nunca dancei ao som dessa musica, mas lembro-me perfeitamente do momento em que nas festas da escola passava o November rain/ Guns N’ Roses , aquilo fazia com que o coração sai-se pela boca. Tudo parava e as pessoas encostavam-se á parede com medo de dançar um slow.
    Eu só queria que o Ricardo dos olhos verdes me chama-se para dançar e ele por sua vez só queria chamar a Sonia para dançar. Nunca mais vi estas personagens, mas ficou-me a angustia do november rain, se eu por casualidade ainda hoje ouvir esta musica, só tenho vontade de me encostar na parede mais proxima.
    Talvez tive-se tido mais sorte com Burbujas de amor .E em vez de apostar no Ricardo dos olhos verdes, devia ter apostado na Sonia.

    • freeculture, eu nunca fui à bola com os calções de lycra do axl. Aquela visão forçada da pila alheia cortava qualquer hipótese de curtir a November Rain.

      Ao início também era dos que se encostava a ver os outros dançarem, depois abri a pestana e comecei a aproveitar. Se te tivesse apanhado encostada à parede tinha-te convidado. Mesmo sem ter olhos verdes 🙂

  3. tas a falar de que ano pa?? o ano muda tudo…borbujas de amor para mim ja ia no 12 ano e a minha mae insistia em ouvir isso no carro a caminho da casa da costa, era uma tortura e eu andava de walkman durante a viagem toda…borbujas de amor fazia-me sempre lembrar as malfadadas erupcoes de acne na minha cara ….ooooooooooo mas sei a letra por causa da minha mae….dancar a noite em Belas montada em ti…..oooooooo
    nos eramos mais Billy Idol e as musicas do dirty dancing (tamos a falar do 7 ano…) depois disso nunca mais dancamos nada nas festas …e eu tornei me metal, mas no 10 ano ainda dancei o Crazy dos Aero secretamente no meu quarto …

    • 1991, muito provavelmente. Andava no 9º ano. Alguém levou uma k7 para a escola a falar de uma música sensual nova que tinha gravado da rádio. Achei aquilo asqueroso por só curtia MC Hammer e Vanilla ICE (!!!), e secretamente começava a ouvir os vinis do meu irmão Joe (Number of the beast/Iron Maiden) e (Disintegration/The Cure). Começou aqui o meu lado negro da força. 🙂

      Mas depois para o roço o borbujas de amor era do melhor, e deixei-me convencer. -_-

  4. passar e nao dancar…assim e que e o refrao: “passar a note em Belas…montada em ti ooooooo”
    agora que ouvi isto de novo ate que gosto mais, vai uma danca Troll?
    (ainda nao tenho as mamas suadas, mas isto promete que o verao vem ai…)

  5. Era a chamada música para roçar o toucinho, Troll. O homem esgotou-se nessa música, um One hit wonder, mas deu muitas tardes de enrolanço, pelos vistos. O problema dessas coisas, é que a maior parte das vezes, é só preliminares 🙂

    • Vic, infelizmente tens razão. As que aceitavam dançar e roçar, raramente permitiam mais veleidades para além dessas. Tirando a Estela de que já falei aqui a rodos.

      O juan luis guerra andou por aí mais uns anos, mas foi-se mantendo na penumbra a escrever para outros.

      Mas de músicas para “roçar o toucinho” poucas batem o “Nothing’s Gonna Change My Love for You” do Glenn Medeiros. 🙂 Bons tempos.

  6. Grande lembrança. Mas levas outra pedrada, que nunca dancei esta com ninguém (nem pensava nisso, tinha praí 9-10 anos) 🙂 sempre fui pé-de-chumbo, um bocado maria-rapaz e envergonhada. Quando me passou já esta tinha passado de moda 🙂

    A franja, no entanto, também cá calhou (o horror)

    • TR, a franja era um must. Não me lembro de nenhuma miúda que não a tivesse- 🙂

      Mas aposto que deves ter dançado Aerosmith e afins. 🙂 Foi logo a seguir.

  7. Eu não posso atirar a primeira pedra. Também a minha escola transformava o bar em discoteca improvisada para umas matinés de vez em quando com o objectivo de animar a malta a conviver(e sinceramente acho que era só que a direcção da escola era um pouco sovina no que dizia respeito à pro-actividade). Dançava de tudo e com quem me pedia pois estava em forma e em dia com as danças, aprendidas de tenra infância nos bailes da aldeia(saudades…), só não dançava com quem queria, o C., mais velho que eu 5 anos, eu caloira de 7º ano e ele quase homem feito no 12º. Era giro, fazer o quê, sempre tive queda por morenos de olhos brilhantes(pareciam duas estrelas, a sério). Na altura e nos dois bailes que o encontrei, bem rezei a todos os santinhos para que me notasse e me convidasse para dançar. Nunca deu pela minha existência, até ao meu 11º ano em que já me tendo esquecido desses anos e da minha paixão platónica esbarrei com o C. na rua. Dedicou-me um sorriso maravilhoso e todas aquelas musicas que eu tanto quis dançar com ele, voltaram a ecoar na minha mente. De alguma forma descobriu-me na noite da cidade e entre sorrisos e palavras bonitas, pediu-me em namoro. A minha paixão platónica tinha deixado de o ser, era real. O meu primeiro namorado, o rapaz que inconscientemente tinha escolhido. Depois de dois anos, cheguei à triste conclusão de que os rapazes bonitos, morenos e de olhos brilhantes não são mais especiais do que os outros. Não saí de coração partido mas tenho pena dos bailes e das músicas que perdi em prol de uma fidelidade absurda onde não me permitia(eu) dançar sequer com os colegas e amigos, em nome da moral e bons costumes. 😉

    Em nome desses tempos, aqui fica a minha contribuição.

    http://www.youtube.com/watch?v=fcuMVsAFiZc&feature=related

    Esta música pedia um slow lentooo e de corpos colados. Nenhum rapaz ficava encostado à parede de cada vez que esta música passava!!! True Story.

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