In Arcadia Ego

Subo as escadas no metro das Picoas em direcção ao Saldanha. São exactamente 13:12h. Não está calor mas, estranhamente, o metro ia pejado de malta ofegante e, resultado disso, começo a suar. Cá fora a temperatura desce e já o  meu corpo exsuda com o choque térmico e cola-se-me a camisa às costas. O almoço foi a mesma porcaria de sempre, nunca satisfaz. O estômago percebe que as coisas são como são e não reclama muito. Odeio ter a camisa colada às costas. Não me importo de ter almoços fracos e sensaborões. Não me chateia por aí além almoçar sozinho. O eremita em mim agradece. Na verdade gosto porque posso jogar poker online à vontade. Fazer um all in por entre garfadas é fixe. Mas tenho saudades de ver/fazer poker faces. O online não mata o vício.

Nesta nova vida a quatro o que sobra menos é o tempo. Os que mais sofrem com isso são o blogue e a PS4. Escusado será dizer que quando sobra, o blogue vai sempre perder para Fifa e StarWars Battlefront. E em Outubro chega Battlefield 1. Folheei rapidamente alguns blogues e deu para perceber que pouco se perde quando se está meses desligado. Reciclam-se temáticas e copiam-se os melhores.

Os melhores em Portugal na década de oitenta eram estes senhores.

To Hell and back…

Sabes que no fundo te estás a preparar para o apocalipse zombie quando, ao comprar  fraldas Dodot Sensitive no Continente Online, dás por ti a adicionar ao cesto uma nova garrafa de Bushmills, quando a que tens em casa ainda está mais de meia, encostadinha à de Cardhu. E à de Clontarf. Os irlandeses é que a sabem toda. Isso ou andas a abusar no Whisky. Digo para mim mesmo que a terceira pedra de gelo está ali para compensar e para ajudar a evitar cálculos renais, mas a verdade é que um copo de água faz o mesmo. Mas não sabe tão bem.

Nova etapa de vida, mais uma vestal para adicionar à minha lista. Novo departamento na mesma empresa, livre do mau ambiente de quase dois anos. Mais trabalhinho mas agora num ambiente respirável, afastado da podridão daquela pequena Dinamarca.

Daí a ter tempo e vontade de escrever online vai um grande passo. Mas acabei por renovar o domínio .com por mais 1 ano. Isso deveria querer dizer alguma coisa.

Salaam Aleikum

troll101

Ser obrigado a perder três horas de vida, num espaço fechado, com cerca de uma centena de habitantes dos mais variados estratos e credos, não tem grande  interesse como experiência social, nem merece ser noticia aqui no pasquim. Não houve gang bang nem badalhoquice. O que tem alguma piada e merece ser falado, foram os mais de dois minutos que a funcionária pública perdeu a analisar o antes e o depois destas duas fotografias.

Foi de tal forma desconcertante que quase aposto que os meus dados foram parar a alguma lista de malta a vigiar.

Alaikum As-Salaam.

The end is near

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Tenho todos os motivos para voltar a escrever no blogue e não tenho motivos para voltar a escrever no blogue. Vir cá só para limpar os comentários de spam e actualizar os plugins tornou-se um hábito, e eu sou um gajo de hábitos. Vou levando aqui a minha vida pacata e minimamente organizada num pequeno caos controlado, com alguns sobressaltos que vou guardando sob a forma de rascunhos. Já são alguns. Pode ser que cresçam,  ganhem asas e se tornem lindos posts borboleta.

Hoje de manhã, a sair do metro e quase a chegar ao pequeno caos laboral, ligo o telemóvel e apita-me esta mensagem, recebida ontem num horário em que me forço a não usar tecnologia que possibilite o contacto com outros humanos. E sabes que isto está realmente tudo virado ao contrário quando a religião onde te obrigaram a picar o ponto durante anos, já precisa de roubar/comprar bases de dados, e mandar mensagens escritas para alertar os mortais que, porventura olvidando a omnipresença do divino, andem por aí a chafurdar na imundície alertando-os para que se arrependam or else.  “…Senhor Jesus Cris­to, Filho Unigénito, Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai: Vós que tirais o pecado do mundo…” , obrigai mas é os súbditos que aqui na Terra dizem espalhar a vossa palavra, a tirarem o meu número desta base de dados. Agradecido.

E isto fez-me pensar. Acreditem que fez. Não em chafurdanço ou em como a minha quota de arrependimento cristão anda nas ruas da amargura, mas em café. Estou mesmo a precisar de café. Até já.

Ps- Este post também tem como objectivo sair do fundo da lista de blogues a seguir de Dom Pipoco. É dos poucos que vou lendo e reparei que estava em último, não gosto de ser o último.

No turning back now

waistcoat

O eu vetusto rejubila de satisfação. Andava desde sei lá quando a pedinchar um tweed decente. Ok, ok, não é um tweed irlandês do bom, daquele que se faz ali para os lados de Donegal, mas acaba por ser a escolha ideal na relação qualidade preço. E agora já está. Já vem a caminho. É comprar cedinho porque a partir do meio de Novembro a Amazon vai estar tão caótica que nem os drones os vão salvar do atraso nas entregas.

Permitam-me que sucintamente me explique. E descansem os incautos leitores que aqui passam pela primeira vez. Este não é, de todo, um blogue de moda masculina. Nem sei bem o que este blogue é mas isso agora não interessa. De tempos a tempos apetece-me escrever sobre a minha costela metrosexual. Ela anda por aqui misturada com as outras vinte e três e até leva uma vida simples e feliz. Ultimamente anda a tentar sair um bocado mais da sua zona de conforto e uma coisa acaba por levar a outra.

Desengane-se quem aqui tenta nas entrelinhas encontrar um hipster ressabiado. Não o vai encontrar. A costela metaleira, que vive paredes meias com a metrosexual, nunca permitiria tal coisa. Acontece que cada vez me revejo menos nos meus pares, no que a indumentárias diz respeito. Cruzo-me com eles na rua, nos transportes, nos cafés, à porta de casa, e não gosto nada do que vejo. A linha de montagem de onde saem é uma bela merda. Eu também já fui um gnu, parei foi para pensar.

Lembro-me de na primeira comunhão levar um colete azul escuro. Nunca tinha vestido nada assim e gostei logo do raio do colete. Sentia-me mais crescido. É certo que Mamã Troll também me obrigou a levar calçadas um par de meias brancas com rendinhas bastante apaneleiradas, mas o tempo encarregou-se de filtrar da memória a porcaria das meias. Mas o colete ficou. Andava desde 2012 a procurar um colete assim. Clássicos para fato existem ao pontapé e não gosto. Corri todas as lojas vintage por onde passei à procura do colete perfeito. Ontem a navegar e a colocar cenas random no cesto de compras da Amazon, encontrei-o.

Isto também pode ser analisado através do binómio Televisão/Séries. Mas negarei até à cova que Peaky Blinders tenha alguma coisa a ver com isso.

Calling Woods

Devia ter aí uns cinco ou seis anos, quando pela primeira vez papá troll decidiu ser a altura certa de me apresentar aos seres das florestas que envolviam a aldeia. Estava habituado a vê-lo sair com o meu irmão, embrenhando-se no matagal de machado ás costas, em busca da árvore de Natal perfeita. À trinta anos atrás, o advento do go green ainda estava longe de ter no nosso quotidiano a importância que tem hoje. Eu já via as fábulas da floresta verde, por isso delirei pela oportunidade de ver ao vivo a Mara e o Joca, e, com alguma sorte, o guaxinim Gugu. Com esta idade nem sabia que nas florestas em redor se se encontrasse um esquilinho pequenino, já era uma sorte do caraças.

Os anos foram passando, e o apelo da floresta cresceu com eles. Começaram por me delegar o apanhar das pinhas para a lareira. Desenvolvi com mestria essa arte quase perdida, e a dada altura, chegava triunfante a casa com dois sacos de serapilheira cheios, qual neandertal  caçador-recolector. Quando a idade começou a pesar nas pernas do patriarca, fiquei incumbido de manter viva a tradição. Passava parte da manhã a alisar o machado, enquanto o frio condensava em vapor o calor da minha respiração. Munido do machado e de um balde para o musgo, que já sabia por esta altura que crescia mais fofo do lado Norte das árvores, desaparecia então pelos pinhais, atravessava ribeiros, afastava-me da humanidade, e começava a caça. Ok, era uma árvore mas tinha montes de piada na mesma. Pelo menos para mim. O restolhar constante da urze pisada, o cheiro das folhas de eucalipto esmagadas nas mãos e que inalava com vigor. Uma comunhão fixe, com a casa mais próxima já a distância considerável.

Quando cortar árvores passou a ser visto como muito pouco cool, já estava a morar em Lisboa. A minha árvore passou a ser mais uma de plástico, igual a tantas outras. Em casa dos troll, o machado ganhou ferrugem pela falta de uso, e a floresta foi ficando cada vez mais pequena, à medida que as urbanizações foram aumentando. Mas o apelo ainda bate forte. Por isso é que perdido e achado, faço planos de trekkings que incluam florestas e matagais vários. Por isso é que estou sempre a babar com filmes e séries que se passem no frio Vermont, no Nevada, e também no estado do Oregon. Neve, florestas, trilhos. Comunhão. É uma chatice que em Hollywood esta combinação normalmente culmine em sangue e serial killers a rodos.

Os Agalloch ali em cima vêem as coisas como eu. E são de Portland, no Oregon. A inveja, meus amigos, a inveja. Às vezes também usam camisas aos quadrados vermelhos e vão para a floresta arranjar lenha para manterem as suas lareiras quentinhas. Só não são barbudos. Uma falha menor, portanto.

Beard New World

beard

Sabes que estás a entrar num mundo completamente novo, quando dás por ti a encomendar este tipo de artigos na Amazon UK. Isto quando ontem já tinhas encomendado este. Imagina que o Metrosexual e o Caveman em ti, se encontram para um café, e decidem testar os limites capilares do teu rosto. Esta demanda começou em Junho. Já estava habituado a cuidar bem das minhas pilosidades, foram quase treze anos de cabelos a roçarem-se lascivamente pelo rabo. Isto nunca teria acontecido sem alguns cuidados como sérum e condicionador sempre em separado. Sempre fui apologista de que se era para ter cabelo comprido, que estivesse sempre flawless. Seis anos depois de o ter cortado, o resultado desse trabalho ainda pode ser visto na forma de uma trança perfeita, imaculadamente guardada lá em casa. Ainda brilha.

Assim que assumi o aspecto lumberjack, isto porque nunca me consegui rever nos meus semelhantes e nas suas barbas de três dias, decidi que se era para manter, teria igualmente de estar flawless. Sou um gajo de pequenos projectos. Sou também um gajo acusado de deixar a maior parte desses projectos na gaveta. Este está a correr bem e recomenda-se. Lá para Dezembro, se ainda tiver blogue,  sou gajo para mostrar aqui o aspecto da coisa. Se por acaso se cruzarem por aí comigo, por favor não me atirem moedas. É mesmo por opção.

#ModoMetrosexualOff

Of cutting onions and good songs…

Costumava achar que a única coisa que me fazia chorar no youtube, eram aqueles homecoming soldier surprises dos soldados americanos, quando chegam a casa depois de longos meses de ausência nos Iraques deste mundo. Não que concorde com política norte americana em meter o bedelho em todo o conflito que mexe, com segundas intenções, que não concordo, mas consigo separar as águas e ver a emoção dos reencontros, sem que a negatividade latente do que os levou a irem para fora. As famílias às vezes ainda são o que são, e eu, embora provenha de uma disfuncional q.b., consigo sentir na pele, e nos olhos, as emoções dos reencontros das outras famílias.

Este video não me fez chorar. Na verdade quando digo chorar ali no parágrafo de cima, não é bem chorar, é mais aquele nó na garganta seguido de fluidos lacrimais que teimam em toldar-me a visualização do resto do video. Encontrei este por acaso, a procurar a versão original, que posso colocar ali em baixo. A versão acústica consegue provavelmente ser melhor que a original. Isto é o projecto/obra de um jovem inglês chamado Chris Corner, denominado IAMX. É ligeiramente gótico, mas em bom. Podem não gostar do original aqui em baixo, mas o video ali em cima está fixe, não está? Conhecia a cara do velhote do filme infantil Up. Desconheço se as imagens são todas retiradas do filme, que não vi, mas a compilação está muito boa e conta uma pequena história. Fiquei como se tivesse acabado de cortar duas cebolas para o refogado. 

Where Do We Go From Here

Caminho em passo largo em direcção ao Minipreço na Actor Taborda. Tenho por hábito comprar lá as Cuétara Cream Cracker que me ajudam a mitigar a imensa fome entre refeições. Sim, sim , devia comer menos bolachas. O marcador electrónico em frente à nova esquadra da judiciária marca trinta e cinco graus. Agradeço aos Sete por me terem lembrado, no preciso instante em que me preparava para rodar a chave da porta de casa, de reforçar a dose de Dove Desodorizante Extra Fresh. Tinha acabado de ver na Sic Notícias que hoje estaria ainda mais calor.

Passo em frente ao Liceu Camões, e vejo dois putos enrolados. São de sexos diferentes, e lambuzam-se sem qualquer pudor, encostados ao gradeamento. Salientei a questão da morfologia ao nível dos genitais apenas porque já presenciei antes, duas miúdas no chafurdanço, a escassos metros das mesmas grades. Estão a chegar as férias grandes, é possível que estejam algum tempo sem se verem e parecem querer queimar os últimos cartuchos. No instante seguinte penso nas novas tecnologias, no skype e no instagram e que burro que sou. Já estou a imaginar a miúda a mostrar-lhe as maminhas em directo dois dias depois enquanto o puto bate uma entre juras de amor eterno. Depois limpa tudo com Kleenex.

No lado do jardim, na Praça José Fontana, está um tipo a tocar saxofone, uma das quinhentas versões de Tom Jobim e da sua, por vezes, irritante Bossa Nova. Foi a fórmula encontrada pelo dono do quiosque recuperado, para chamar malta. E resulta. Ainda que do cimo do coreto quase consiga ver o brilho do suor do anafado senhor. Mas dizem que o café que dali sai é bom. Ainda não experimentei porque está sempre pejado de yuppies.

Duas borboletas ultrapassam-me pela direita já a contornar a escola. A de asas douradas é bastante rápida. Deve ter deixado a fase crisálida recentemente. Ainda assim parecem bastante divertidas, as maganas. Assustam-se com a cor do verde das bandeiras, que passam presas nas costas de duas brasileiras, e passam para o outro lado da estrada.

Entro no Minipreço e desapareço na confusão de pacotes de bolachas. Já não têm Cream Crackers e a marca deles não tem metade do sabor. Levo as….argghh…integrais. O que não mata engorda.