Chameleon

Às vezes canso-me de o ser. Sinto-me barro. Deixei-me moldar e não gosto particularmente do resultado final. Ninguém gosta. Nos outros dias vivo bem com esta pele. Mas tenho sempre de estar constantemente a mudar de cor para sobreviver, ou para agradar.

Que maravilhoso mundo novo este, o da nossa sociedade, não é? Agrada-me ver os poucos que se vão mantendo fiéis. Uns ainda por cá andam. Outros já se foram para outro qualquer lado. Não sei se para campos verdejantes, com pequenos riachos que levam as folhas ao sabor da corrente, e onde ao longe se vislumbram verdes colinas, se simplesmente para debaixo dos sete palmos de terra da praxe.

Amanhã vão-se passar dois anos sobre a morte do Petrus T. Ratajczyk. Não é um nome que faça soar campainhas à maior parte. Provavelmente se disser Peter Steele, o mesmo acontecerá. Mas para aqueles a quem a sua música influenciou e tanto deu, o vocalista e mentor dos Type O Negative, será uma perda irreparável. Terá sido graças à música desta banda, que parte da minha alma terá ficado irremediavelmente “negra”. Para mim foi quase como parte da letra da Bloody Kisses, “It’s like a death, a death in the family”. Mas como em tantos bons que já se foram, fica o maravilhoso legado musical.

 

27 thoughts on “Chameleon

  1. adoro essa música (love you to death). é linda. e também adoro type o negative (mais os primeiros álbuns).
    poça, já morreu há dois anos… tinha ideia que tinha sido há menos tempo. o tempo voa.

    • Time fucking flies, Maat.
      Type entranhou-se de tal forma que nunca hei-de conseguir deixar de ouvir. Nem quero.

      O October Rust está no meu Top 5. 🙂

  2. Por dia, costumo ter umas 3 peles. A do trabalho, a de andar na rua, e a de mãe. Tenho muita pena de me esquecer com frequência, de deixar a do trabalho à porta de casa.

    Só conheço a banda por causa do link ali em cima à direita. 🙂 Se isto é gótico, até se ouve bastante bem. É melancólico.

    Bom fim de semana.

    • Fiona, feliz por poder mostrar coisa novas. 🙂

      Eu sou um troca-peles. Tem de ser. Era isso ou colocar a minha sanidade mental em risco. 🙂 Mas infelizmente, também padeço desse teu problema em deixar a do trabalho à porta de casa.

  3. Somos o que somos, independentemente do esforço que possamos fazer para nos adaptar.
    Ou então, deixamos de ser e somos só uma coisa que se molda.

    A diferença não está em moldar-se ou não se moldar. Está em ter ou não ter dentro de nós algo que é próprio, que é nosso, que é deliberado, que somos nós.

    Afinal todos somos vítimas do passado e da sociedade e resultado das múltiplas pressões a que nos sujeitamos.
    Alguns são é apenas isso.

    (e ontem passei parte do serão a ouvir o Bloody Kisses, deu-me para aí sem saber porquê. nem me tinha ainda apercebido que já faz dois anos amanhã.)

    • É um pouco isso, Menino de Sua Mãe.
      Ainda consigo saber qual é a minha verdadeira pele, e não a confundo com as outras. Mas às vezes misturam-se sem que o queira.

      O Bloody Kisses é fenomenal.

  4. …Everything Dies…
    I love Peete Steele, always be missed. (O homem com a cara mais perfeita do mundo, my beautiful vampire) let me love you to death….
    damn ja tou como o menino da mama, tenho de ir ouvir isto o dia inteiro, TON e uma doenca das boas
    rust in peace (2 anos? damn….o tempo passa)

  5. O que é verdadeiramente difícil é conseguir harmonizar “a nossa cor” com a dos outros, sem perdermos o nosso tom nem absorver totalmente o tom deles…….
    A música desconhecia, mas parece-me que vai ficar muito bem na minha playlist dos meus dias de “melon and collie and infinite sadness”.
    Obrigada Troll 😉

  6. Eu tento ser sempre a mesma, para a “máscara” não cair na altura errada. Mas é muito difícil sermos sempre os mesmos, o tempo todo.

    O moço era grande, ou é impressão minha? Fui googlar o nome e até pilas vi. 🙂

    Gostei da música.

  7. Mas agora deu-te para relembrar os mortos, em vez de celebrar os vivos?
    Amigo, ninguém é eterno, embora alguns achem que o são. Outros aceleram por conta própria e abreviam os dias. Nada a fazer. Mas também nada nos diz que é boa ideia deixarmo-nos influenciar pelo que acontece à nossa volta.
    Actredita, a vida vai-nos criando uma carapaça. Um dia destes, vais deixar de contar os dias, quanto mais os anos. Passas ao lado e és tu mesmo 🙂
    E ficarás sempre com a música por companhia 🙂 Essa, nunca morre.

    • Vic, foi coincidência. 🙂
      Juro-te que não ando a ver a cronologia dos músicos famosos de que gostava e já se finaram.

      Acho que já disse algures que é um post que nunca farei. Tremo só de pensar na minha mortalidade.
      Mas era mais um celebrar com a música que, como dizes e bem, é eterna. 🙂

  8. Christian Woman, forever!
    Grande Pete, grandes noites à volta da fogueira a ouvir aquela voz e aquele carisma em repeat. Nunca me teria perdoado se tivesse faltado à chamada do Coliseu, por muito atrasada que tenha sido e tão mal que tenha corrido.
    Troll, agora às sextas-feiras morre-te sempre alguém, é? 🙂

    • O Vic acusou-me do mesmo. Foi só coincidência. 🙂 Prometo que para a semana vai ser de alguém vivo. A não ser que aconteça qualquer desgraça.

      Toda a gente disse (incluindo o próprio Pete no concerto): “Fuck, we should have been here 10 years ago” 🙂

      Por Baco!! Bebamos à sua memória! -_-

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