Cinquenta quedas avermelhadas

thefall

Nos dias que correm, não é fácil deixar-me convencer a gastar uma preciosa hora do meu tempo nocturno a ver uma série que contenha a seguinte dinâmica: Policias/Maus/Crimes/Investigação. Definitivamente não. São tantas e tão más que levam por tabelas as que até poderiam ter algum potencial. Desde o gajo que adivinha quem mente, ao gajos que adivinham o futuro, passando pela miúda com três mamas, que é policia durante o dia e trabalha num bar kinky às terças e quintas à noite e deixa as crianças com uma ama que vai-se a ver e bebe sangue. A escolha no que a séries diz respeito é enorme, e quando menos esperamos, volta a nova temporada daquela série que seguimos religiosamente.

Sem qualquer vontade em dar uma chance a The Fall , acabei por aceder a ver o episódio piloto. Se tudo o resto falhasse, estava lá a Scully a segurar as pontas. Nunca se diz que não à Scully. Só posteriormente li que o mau da fita anda agora nas bocas do mundo a brincar às casinhas, com a adaptação ao cinema daquele romance de cordel para molhar cuequinhas alheias.

A dada altura, estamos sempre à espera que o Mulder apareça de repente a investigar qualquer coisa, enquanto se atormenta o tempo todo com o facto de lhe terem raptado a irmã. Quem percebeu as referências ao século passado percebeu, quem não percebeu adiante que também não perde o fio à meada. A Gillian Anderson é aquele cliché ambulante de mulher que melhora com a idade. Perco a paciência com a sensualidade que transparece naquela mulher, que nesta série é ainda mais latente agora que largou os enchumaços dos ombros. Pimba, mais uma referência aos nineties…

Quando se pensa que já nada pode encher assim o ecrã, eis que entra o Jamie Dornan. Não querendo spoilar muito a coisa, limito-me a escrever uma frase da minha autoria, que confesso não saber se já foi usada até à exaustão. Para Jamie Dornan, “The Fall” parece funcionar como uma espécie de warm up session para as sombras acinzentadas. É um actor do caraças e eu não o conhecia.

Como se este exercício de mixologia não fosse suficiente, adicionam à série uma excelente fotografia, uma trama que se adensa a cada minuto, tudo isto no ambiente de Belfast, na Irlanda do Norte. Rendo-me portanto às evidências: de longe a longe, ainda aparecem séries de Policias/Maus/Crimes/Investigação que nos conseguem surpreender.

6 thoughts on “Cinquenta quedas avermelhadas

  1. Já eu papo tudo o que é policiais e por isso mesmo tornei-me altamente crítica neste tipo de séries e há já muito tempo que não vejo nada com grande potencial para desenvolver (talvez The Bridge seja do melhorzinho que por aí anda e a fugir um bocadinho ao estilo mas de qualidade excelente, The Following).
    Vou dar uma oportunidade a este The Fall!

    • Margarida, também vi a The Following. Mas tenho muito medo da 3ª temporada. Depois do final da 2ª, não sei que twist vão inventar para manter aquilo coerente. 🙂

  2. Essa série chegou a ser a melhor coisa do meu dia. E não estou a falar das partes em que ele despia a t-shirt. Aquele ambiente irlandês todo é fantástico. Eu, que nunca achei o sotaque irlandês sexy – como é o escocês, por exemplo, derreti-me toda de cada vez que o tipo disse “darling”… ai…

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