Famosos na minha banheira

Partilhar a banheira com alguém, mais do que poupar água a pensar no ambiente e na desflorestação da Amazónia, é algo, intimo, especial. Pelo menos para mim. Quando era miúdo, não havia banheira lá em casa. Era uma casa de gente pobre, mas muito limpinha. Havia um chuveiro minúsculo que servia razoavelmente bem o seu propósito mas eu queria mais. Quando saí de casa de mamã e papá Troll, foi com minúcia e detalhados estudos que escolhi a caverna para onde me ia mudar. E esta tinha, obviamente, uma grande banheira, item número quatro de detalhes imperativos da caverna a escolher.

E assim foi, sempre que tive de mudar de casa. A escolha tinha sempre critérios no que à banheira diz respeito. E nas pessoas que permitia que a usassem. Comigo lá dentro então, nem se fala. Agora que penso nisso, algumas das pessoas que comigo partilhavam retemperadores banhos podiam ser sósias de famosos. Uma vez, a Popota esteve na minha banheira. Não a deixei cantar. (Vamos chamar-lhe Sandra). Foi uma experiência marcante. Literalmente. Ela ocupava grande parte da banheira, e eu, encostado a um canto e sempre com vontade de agradar, queimei as costas na torneira.

O Alice Cooper também passou pela minha banheira. Foi o primeiro a fazê-lo várias vezes. O Alice Cooper usava rímel. Sempre que tomávamos banho juntos, e apenas a pensar no meio ambiente, ela nunca tirava o rimel. Deixava que escorresse pela face, e era nessas alturas que aparecia o seu alter ego Alice Cooper. E eu não me importava. Terá provavelmente sido o mais próximo de uma experiência homossexual por que já passei.

Anos mais tarde, em Gredos, e numa banheira que não a minha, ajudei um Yeti a entrar. Tínhamos apanhado um nevão a meio de uma caminhada e quase a chegar ao refúgio, apenas a ideia de água quente pelo corpo nos mantinha a caminhar. Chegámos cobertos de neve. Ajudei-a a despir-se e tecnicamente, quando entrou na banheira já não parecia uma abominável mulher das neves, bem pelo contrário, mas contornei a coisa para o texto continuar com o mínimo de piada.

 

 

 

12 thoughts on “Famosos na minha banheira

  1. Troll…
    Quando era miúda e vivia em Pedorido tinhamos uma casa de banho pequenina e com um chuveiro limitado. Enfim, parece que muito povo padecia do mesmo mal por aqueles lados.
    A banheira também está incluida na lista de coisas impreteriveis em casa onde habite 😀
    Espero que a “Alice Cooper” fosse mais bonita de cara que o original 😉
    Concordo que a partilha da banheira é asusnto delicado. Mas a sua prática leva momentos memoráveis.
    Ficaste com marcas da queimadura? Se sim… Sempre podes dizer que é uma cicatriz de um estilhaço de guerras passadas 😀

    • Joana, não que fosse preciso muito, mas esta Alice Cooper era linda. Acredito que ainda seja. 🙂
      Já me tinha esquecido que quase fomos vizinhos. Só havia um rio enorme a separar. 🙂

      • Indeed… quase vizinhos 🙂
        Tenho saudades desses dias.
        Provavelmente farei visita em breve à zona das minas do Pejão. Com amigos das vidas de fotografia.
        Depois de ter saído passei tanto tempo sem regressar que, quando o fiz parecia-me que tinha lá estado noutra vida.

  2. Partilhar a banheira, sem dúvida, um gesto ecológico que se pode tornar bastante agradável… Mas, por causa das coisas, fico-me pela referência às banheiras de pé. Estou como a Fiona, gosto bem delas.

    • É curioso que praticamente todas as mulheres que conheci, denotam um apreço comum pelas banheiras com pés belle époque. 🙂
      Partilhar água com terceiros é sempre bom, seja em que situação for. 🙂

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