Friends in High Places

A definição e essência desses high places está muita vezes relacionada com a importância que lhe atribuímos, e não tanto com a realidade. Quando tinha oito anos gostava muito da Cristina e dos seus olhos cor de mel e juba dourada. Ela era encantadora e ria sempre com vontade e eu adorava-a. O Filipe era vizinho dela e brincavam juntos à apanhada e ás vezes aos médicos. Eu não tinha coragem de falar com ela mas jogava berlinde e fazia cabanas com o Filipe. Quando numa das muitas tardes passadas a construir a cabana perfeita, a Cristina apareceu com uma amiga para brincar connosco, foi a felicidade total. A amiga era feia e já não me lembro do nome dela, por isso vou omitir a sua presença. O Filipe foi surripiar tábuas para a cabana a uma serração próxima e eu fiquei sozinho com a Cristina e a sua juba dourada, a preparar tudo para brincarmos aos médicos. Com oito anos não se passou nada de relevante, mas fiquei feliz por ter o tipo como meu amigo.

Quando comprei o meu primeiro carro, tinha um amigo mecânico, sócio de uma oficina. Arranjava-me sempre o carro por valores ridículos e sem passar factura. Certa vez foi comigo a um ferro velho comprar uma correia de distribuição por menos de metade do preço, preço esse discutido por ele ao euro, mesmo à cigano, com o dono do ferro velho. Tinha uma paixão assolapada pela mulher do patrão, e eu fazia muitas vezes o papel de psicólogo e confidente, enquanto ele se besuntava todo nos óleos e massas consistentes. Quando vim para Lisboa ele já estava com a mulher do agora ex-patrão. Não sei se os meus conselhos serviram algum propósito mas gosto de pensar que sim.

Esta semana fui ter com um amigo ao seu escritório. Ele trabalha numa empresa que contacta com outra empresa, sendo que esta última compra os conteúdos de uma série muito na moda. Isto significa que anda sempre ali merchandising ao pontapé. Ele sabe que a minha paixão por essa série já vem dos livros, quando ainda ninguém falava da série. Assim que chego ao seu espaço deparo-me com um objecto. Ele não sabia, mas esse é um dos objectos que estou constantemente a namorar quando passo naqueles expositores da geekalândia na Fnac. Perguntei-lhe quanto é que queria por aquilo. Riu-se e perguntou-me se estava a gozar, até porque já tinha umas cenas partidas. Expliquei-lhe que se estivesse em peças tipo puzzle, era gajo para juntar aquilo tudo. Foi buscar um saco em papel da Bershka e colocou-o lá dentro. Toma. É teu. De salientar que este é o mesmo amigo que me arranja pontualmente bilhetes para o Benfas. É como vos disse no início. Isto para mim são friends in high places. Agora se me dão licença vou ali ao minipreço comprar Supercola 3.

Trono

8 thoughts on “Friends in High Places

    • Cuca, deves encontrar nas fnacs e afins por valores a rondar os 45 euros. Andei sempre a namorar este trono mas nunca o comprei. Acabou por ser um final feliz. :)

  1. Há algum tempo atrás fiz uma amiga que está in high places e que teve amabilidade de me convidar para ir com ela ver a estreia da nova temporada dessa série muito na moda e que eu (ai que estúpida, como é que uma coisa tão boa me podia estar a passar ao lado) ainda não conhecia…
    Mais! Esta nova amiga registou o momento em que me sentei nesse trono (não nesse que é pequenino, mas noutro mais de acordo com o tamanho do meu pandeiro).
    Já tenho saudades desta amiga.
    :)

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