Les bêtises de mes voisins

Já aqui falei dos meus vizinhos. Os meus vizinhos e suas peripécias não davam um livro. Não exageremos. Se assim fosse ainda chegava a número um da Leya. Diz que agora é fácil. Não havia, até ontem, um motivo assim forte, que me levasse a querer escrever novamente sobre eles. Sim, é certo que a vizinha do 3º continua a fumar na janela do quarto, e que toda aquela cinza me entra pela janela. Mas a culpa é minha. Quem me manda a mim ter a mania de deixar a janela aberta a arejar durante o dia, e que ela, aparentemente desempregada e a viver de rendimento mínimo, passe o dia a fumar armada em Rapunzel. Mas ando a desconfiar de uma certa mais velha profissão do mundo. Deve ter um negócio em casa. Nem precisou de Simplex nem nada. Pelo menos para já, os clientes não se estão a enganar no andar quando tocam à campainha.

Também é verdade que depois da conversa do início do ano, a Miss Piggy agora faz um esforço hercúleo para me sorrir, nas raras vezes que nos cruzamos no elevador. O esgar dela é notoriamente falso, e podia muito bem ser confundido com alguém a ter um AVC. Mantenho o meu melhor sorriso amarelado e sigo o meu caminho. Com sorte, um dia destes é realmente um AVC.

Mas este fim-de-semana o impossível aconteceu. Não, não foi a Mariana Monteiro que se mudou para o prédio em frente, e passou os primeiros dias a espreguiçar-se em frente à janela. Comprei um LCD novo, após meses e meses de namoro, benchmarkings, jantares, flores, anel no dedo e promessas de amor eterno, e levei-o para casa. Era tempo de fazer as devidas despedidas ao antigo. Mas rapidamente porque já estava prometido a papá Troll, que é, por regra, receptor da tecnologia ultrapassada lá de casa. Plasma antigo colocado a custo no elevador com auxílio de um minúsculo banco de plástico, daqueles mesmo ranhosos do Jumbo. Pousado que foi esse banco à entrada dos elevadores, fomos colocar o plasma no carro. Despedidas feitas, voltei para casa e surpresa, das surpresas: tinham-me surripiado o banco!

Ainda pensei que estivesse a ter os primeiros sinais de um Alzheimer precoce e entrei em casa com a confiança de quem vai encontrar o que procura. Mas não. Não encontrei. Fui gamado. Algures na vizinhança, alguém acha que fez um negócio do caraças a gamar um banco de plástico de cinco euros do Jumbo. Esse alguém deve achar-se o Clyde lá da rua, e chegou ao pé da gordalhufa da Bonnie a vangloriar-se, como quem tinha acabado de roubar à mão armada, um saco cheio de notas de quinhentos euros. Caro vizinho energúmeno, espero com toda a sinceridade, que te encontres com Salazar lá no céu da malta que cai das cadeiras e dos bancos. Mesmo os do Jumbo.

22 thoughts on “Les bêtises de mes voisins

    • É, não é, Izzie? Desconfio de uns novos que se mudaram recentemente, mas tenho mais vergonha na cara do que eles, e não tenho provas, por isso já fui ao Jumbo gastar mais 4,99 euros. 🙂

    • Anna, é provável. 🙂
      No momento fiquei mais incrédulo do que chateado. Mas se isto é mais um sinal da crise, aconselho-vos a guardarem os vossos bancos de plástico a sete chaves. Nada está seguro. 🙂

  1. Também digo, nem vizinhos meliantes tu tens de jeito, homem.
    Não terá sido a Piggy?:)
    ´

    (já por outro lado, a vizinha de campainha muito activa, está a começar a despertar algum interesse…)

    • Vic, a Piggy só tem braços para o porta chaves do cão.

      Não perdes nada com a vizinha de aparente profissão bastante liberal. Acredita. 🙂

    • Obrigado, Fiona. Foi rápido e foi forçado porque gosto disto.

      Já precavido, comprei cadeados para a roupa que ponho no estendal a secar. Por outro lado levam-me estendal, levam tudo.

  2. trrrrrriste muito trrrriste (apeteceu-me falar igual ao conde de contarrrrrr, não sei porque).
    Eu tambem tenho uma vizinha da frente que fuma á janela, mas a minha é com as maminhas ao léu. Há uns outros que tambem fumam, mas áo pé dela ficam invisiveis.

    bem vindo, eu já tinha refilado tudo o que havia para refilar.

  3. Gosto desse vizinho, que te fez arranjar tempo para regressar à blogosfera e suspender a greve. Podemos estar caladinhos (normalmente eu estou) mas sentimos a tua falta (eu senti)! 🙂

    • Obrigado, Joana 🙂

      É um malandro este ladrãozeco de bancos de plástico. Fez-me subir e descer 2 vezes o elevador a pensar se não estaria a ficar maluco.

      Um dia destes vou roubar o tapete de entrada de alguém. Só pelo fun.

  4. Ahah, bom, mas bom!
    Ele há com cada um, já não se pode tirar os olhos de um banco por segundos que somos fanados, e no próprio pédio.
    Mas pelo que vejo tens uns belos vizinhos 🙂

    • CP, ninguém está seguro. Deixei de largar os sacos das compras por segundos à porta do prédio, enquanto vou buscar os restantes. Ainda alguém “confunde” os sacos com as entregas ao domicílio do Jumbo…
      -_-

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