Ali mais para baixo, é possível ler-se algo referente às minhas pilosidades faciais. Sim, ainda mantenho este ar vou-deixar-crescer-a-barba-mas-óh-fodasse-que-mais-pareço-um-hipster. Tenho alguma dificuldade em explicar às pessoas o porquê, (a mim próprio já desisti de tentar), da real razão que me levou a isto. Adiante.
Acontece que, nem tanto por necessidade, mas sim pela real possibilidade de fazer uns trocos extras, daqueles que ninguém no seu bom senso recusa, dei por mim a vender cenas online. Comecei a medo, envergonhado, a encontrar-me no Colombo com uma senhora que me queria comprar uma máquina de café antiga. Acabou o fortuito encontro com a dona toda sorridente a pagar-me um café. Fui ganhando à vontade com material de Paintball, que vendi todo, e já em velocidade de cruzeiro, dei por mim a combinar encontros lá em casa com gajos de Viseu, que aí se deslocaram para me apreciarem o material. Gostaram tanto do que viram, que pagaram em notas de cinquenta e o levaram embora. Deixem-se de merdas, era um Plasma Samsung antigo. Combinei encontros com brasileiras à porta do Almada Fórum para vender máquinas digitais ultrapassadas. Voltaram a querer pagar-me um café. O carro mal estacionado salvou-me de um provavelmente estranho diálogo com uma sertaneja caipira. Ô genti!!!
Comecei a dar por mim a olhar para tudo o que se encontra lá em casa com outros olhos, e a potenciar em euros, todos os pechisbeques possíveis e imaginários. Mas tudo isto muda com uma barba enorme. Permitam-me que desmonte em segundos a teoria. Esta barba enorme, com uns jeans escuros e um casaco do mesmo pantone, e acompanhada de um grande sacalhão de plástico transparente e a tiracolo, com um Puff do Gato Preto lá enfiado, altera completamente toda as conjecturas que imaginas que as outras pessoas façam de ti.
Num cenário de montanha, artilhado de crampons e tal, acredito que esta barba tornasse o seu portador num tipo respeitável, a quem os outros trekkers dessem o seu melhor -Hola!!-, enquanto cediam respeitosamente a passagem num qualquer cume. Já no Metro, limitam-se a olhar de lado, e a colocarem subrepticiamente as mãos a proteger as suas malas e sacolas, e a afastarem-se da presença daquela espécie de Lelo.
Os 40 euros foi o preço a que vendi o Puff. Sou oficialmente um cigano.

Ai Lelo o que me ri!!!
Estás aqui estás nas feiras a anunciar cuecas da moda a 5 érós! :p
Filipa, tendo em conta duodécimos e merdas que tais, não tarde nada safava-me melhor na feira. Isto não passando factura.
Mas também tens o chapéu?
Alexandra, gorro. Mesmo à mitra. -_-
Apanhei-te:
https://www.youtube.com/watch?v=8MJio3s2wFI
Por aí, por aí…Com a barba mais arranjadinha, mas sem o talento desse jovem.
Vendes camisolas do Aimar?
Jiboia, vendi tudo ao meu primo por tuta e meia. Pensava que o gajo ia embora para o Dubai.
Mas tenho ali umas do Ola John que em cima do cacifo, até o enganavam antes de entrar em campo. -_-
bem-vindo ao mundo das vendas de artigos usados
eu também já fui uma entusiasta dessa actividade. é como tu dizes, começamos a vender uma impressora que já não usamos e acabamos à procura de mais e mais coisas para vender. deixei-me disso entretanto, porque já vendi tudo o que tinha para vender, incluindo uma secretária, roupa e tudo mais que possas imaginas.