Malèna, ou como cavalgar impunemente um sonho.

Sim. A mão é minha. A Malèna não. Infelizmente. A Malèna é do mundo. Do meu também. Habitou-o durante uma fase. Uma longa fase que ainda se mantém. No meu imaginário e no de mais uns milhares de homens. Pelo menos no dos homens com bom gosto.

Sempre achei bastante mais piada a mulheres roliças, com as carnes do devido lugar. Nunca me seduziram por ai além as Rachel Bilson deste mundo. Nada contra as magras, mas gosto de ter onde agarrar. Não, não é nenhum complexo de Édipo recalcado. Uma mulher quer-se é com curvas. Das boas. Se no início andava tapadinho com a Samantha Fox e a Sandra, impressas em calendários de bolso e religiosamente guardadas no bolso das calças para mostrar aos amigos, descobri depois as curvas da Erika Eleniak e da Tiffani Thiessen com o advento Baywatch.

Concebo um mundo antes e depois de Malèna. O filme que teve em mim o condão de me abrir a pestana para o que realmente o mundo tem de belo. E que beleza.

Cada movimento, desde o modo como passava gentilmente a mão pelo cabelo, até à maneira como humedecia ocasionalmente os lábios com a língua, julgava eu que me eram destinados. Ali estava aquela mulher de uma beleza de tirar o fôlego, a fazer-me sentir o homem mais importante da sua vida (Otário). Màlena era a resposta para todas as minhas noites solitárias, para todos os meus sonhos libidínosos. Imaginava-me na sua vida. Eu era jovem. Tentem compreender.

Já conhecia o realizador Giuseppe Tornatore, do belo Cinema ParaísoA música de Ennio Morricone compôs o ramalhete para uma ode à sensualidade que só veio engrandecer a coisa.

Eu queria ser o Renato, o puto que viu em Malèna aquela mulher única e deslumbrante, que despertava os olhares e a cobiça dos homens da pequena vila siciliana, e a inveja das mulheres casadas. Fiquei chateado com o preconceito das velhas da aldeia, fiquei fulo com a necessidade que ela teve em aceitar comida dos oficiais nazis em troca de favores sexuais. Apeteceu-me rebentar-lhes a tromba. E ser nazi. Só um bocadinho e naquele filme.

Mas este filme é também um estudo sobre redenção,  acerca da imponência de uma linda mulher e do que essa beleza provoca nas pessoas. Malèna é mais forte que o preconceito, mantém-se firme e consegue contornar todo o drama da sua vida.

Parafraseando o puto Renato na última cena do filme: “Of all the girls who asked me to remember them, the only one I remembered is the one who did not ask.”

 

 

 

 

16 thoughts on “Malèna, ou como cavalgar impunemente um sonho.

  1. O guarda-roupa do filme também é muito interessante (eu a ver se te distraio). Não fica bem em qualquer uma. Aqui até temos as ancas, mas cadê a cinturinha e as amiguitas de cima? O cenário é que já me ficava muito melhor… Sícilia, não é? Adoro.

  2. O génio de Tornatore junto com o de Morricone e ambos aliados á beleza e sensualidade da Monica, só podiam dar um belíssimo filme.
    Comparo muito a beleza da Monica com a da Isabelle Adjani. A Adjani só tem a diferença de não andar com um rottweiller á tiracolo.
    E sinceramente, nunca entendi muito bem a atracção de certos tipos por raparigas que saiem ao pai. Deve então ser, segundo a tua douta teoria, um complexo de Edipo in reverse…

  3. Conheço bem essa Màlena e as curvas que ela tem… e são realmente de um encanto sem limites. Quanto à frase final, acrescentaria: as mulheres que não pedem para ser recordadas são aquelas que sabem o seu valor. Sabem que vão ser recordadas.

  4. O meu ex também estava sempre a falar na Mónica Bellucci. 🙂
    Mas eu no caso dela tinha de me render ás evidências.
    Era isso e uma chef inglesa mamalhuda, a nigella. 🙂

    • Ui, a Nigella, a Nigella 🙂
      Quase tinha direito a um post em nome próprio. Usa demasiada banha nos cozinhados para o meu gosto, mas também me gusta bastante. ainda que num patamar diferente.

  5. Parece que até aqui os comentarios estao todos em sintonia, tanto a Monica como a Nigella fazem parte da minha lista de paixoes lesbicas, à qual incuo a Dita Von Teese .

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.