Delicatessen

Os dias começam finalmente a ficar mais compridos, mas a Primavera, essa, faz-se cara. Dois ou três dias de Sol deixaram um gostinho a Verão, mas ainda não é desta que arrumamos as botas e calçamos as havaianas. Até lá, porque não cedermos a um dos grandes prazeres da estação fria: COMER!! Eu, glutão, me confesso.

O “Museu dos Sabores” é um dos “segredos” mais bem guardados de Almada. As aspas estão ali porque o restaurante é tudo menos secreto, tendo sido vencedor do IV Concurso Gastronómico do Concelho de Almada, mas toda a gente continua a reagir com surpresa quando o recomendo.

Este restaurante de cozinha de autor, um dos poucos do concelho, é, nem mais nem menos, que a cafetaria do Museu da Cidade! Fora do horário das refeições principais é ver passar galões e tostas mistas, mas ao almoço e, em especial ao jantar… temos “Codorniz recheada sobre ninho de batata com legumes crocantes e seus ovinhos” e outros pratos sugestivos. É o meu restaurante de eleição quando não me apetece ir para longe e quero ser surpreendido e comer bem ao mesmo tempo. Não sendo um restaurante para todos os dias, 17€ por pessoa em média, também não são nenhuma desgraça.

O restaurante é pequeno e tem um ambiente simpático, simples, mas jovem e sofisticado. As paredes envidraçadas deitam para as palmeiras do Jardim do Museu, um edifício apalaçado de uma antiga quinta, totalmente recuperado, e para a esplanada, que é muito agradável no Verão.

O Chef, muito simpático, vem ele mesmo trazer-nos os pratos e inteirar-se da nossa satisfação, que, posso garantir, é sempre plena. No “Museu dos sabores”, aliás, o meu único motivo de insatisfação foi, até agora, a enorme dificuldade que tenho na escolha. Desta vez, enquanto ensopava o pãozinho quente na tacinha de azeite com vinagre balsâmico tentava lembrar-me se queria para entrada o “queijo de cabra crocado com compota silvestre e salada rica” ou o “Carpaccio de novilho com salada de rúcula em vinagreta de limão”. Nunca me lembro de qual gosto mais e, na verdade, nunca fico desiludido. Para prato principal escolheu-se o “bife de atum com molho de mostarda antiga e migas de espargos verdes”.e (este não apontei o nome, desculpem lá…), “lombo de bacalhau assado com qualquer coisa muito boa de batata doce”, para se poder fazer algum intercâmbio de garfadas.Nem as fotos do telemóvel nem estas linhas fazem justiça ao aspecto dos pratos ou à delicada e, por vezes exótica, mistura de sabores e texturas. Vou deixar-vos imaginar e avançar para a sobremesa. Embora seja um restaurante de cozinha de autor, os pratos são todos eles bem servidos, pelo que, quase com desgosto, nunca sobra muito espaço para as sobremesas deliciosas.Desta vez escolhi a Trilogia de Chocolate Quente e Fria. Deixo-vos a foto e a certeza de que não se arrependerão de fazerem uma visita ao “Museu”, em particular se a combinarem com um saltinho ao outro “Museu“.Museu dos Sabores

Praça João Raimundo, 46 (Museu da Cidade de Almada)

2805-334 Almada
Telefone: 212 734 030
Preço médio: 17€

Ps- E não, não sou sócio nem tenho comissão.

29 thoughts on “Delicatessen

    • Filipa, esses da moda não têm nada de errado. Este é só uma alternativa. 🙂
      “A puxar a brasa para a Margem que fiz minha desde 2004” 🙂

  1. Tu não tinhas já por aqui um outro post sobre este restaurante? era gajo para apostar o testículo esquerdo em como tinhas. Porque foi dos posts que me deixou a babar quando conheci este teu tasco. Mas não o encontro. Calhando apagaste-o ou assim…

    Tenho apontado uma ida lá, mas ainda não sei é quando. Espero é que não seja daqueles restaurantes de “bocadinhos” de comida e “uma pipa de massa” na conta 🙂

    Ah, o link no “um saltinho ao outro “Museu“.” não está a funcionar 🙁

  2. Já fui a este Restaurante e confirmo. Come-se bem e não é caro. Para quem vem de Lisboa como é o meu caso fica mesmo a seguir à ponte, numa rotunda que se chama Centro Sul.

    Fui à Costa de tarde, e em caminho acabei a jantar lá.

    A Trilogia de Chocolate Quente e Fria devia ser proibida. 🙂

  3. opá, isto é lá coisa que se leia antes do almoço? Ainda por cima, isso é um autêntico atentado às dietas das senhoritas que te visitam, e que eu suponho serem todas muito elegantes!
    (lá tenho eu que ir até Almada…)

  4. Olha que maçada (ou será antes massada?)!…Mesmo perto do meu (ainda) emprego. Fica registado, se bem que a minha experiência em restaurantes de cozinha de autor não tem sido muito boa, mas essas fotos convenceram-me.

    (a crer pelos potenciais novos clientes que vejo aqui, acho que devias negociar comissão)

  5. eu sou de Almada e nunca fui a esse museu e restaurante, agora vou mesmo ter que ir, eles fazem jantares? pergunto porque como está dentro dos muros do museu, nao terá um horario diferente dos outros.

    • freeculturelisbon, sim, fazem.
      Durante o dia é um bar/café que faz o apoio ao Museu, à noite é o Restaurante.

      É uma excelente escolha. 🙂

  6. Sendo um tipo avesso à tendência pós-moderna de fotografar alimentos que nos passam pela frente segundos antes de os transformarmos em parte integrante do nosso organismo, sou no entanto fã de bons tascos fora dos circuitos habituais.

    Por isso, toma-se nota da sugestão e maravilho-me uma vez mais com o naming que os chefs criam para certos pratos. Já comi tanta cama e tanto ninho que temo ser processado pela IKEA ou pela Sociedade Protectora das Aves, por atentado à propriedade.

    Fora isso, ainda hei-de comer no museu (que bela frase de despedida)

    • Bem-vindo Mak,

      Em minha defesa tenho que referir que este post já foi um artigo meu num site de referência. Tirei as fotos com esse propósito. 🙂

      Este é, definitivamente um bom tasco a conhecer.
      Essa dos ninhos também me come a cabeças às vezes. 🙂

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