No meu Algarve

No meu Algarve, este ano, o rácio Ingleses/Escoceses/Alemães versus Portugueses, foi horrivelmente importunado por uma nova variante, Espanhóis. São muitos e falam alto à noite no bar enquanto esgotam o stock do cocktail do dia. No meu Algarve, a manhã seguinte ao check-in é passada na casa de banho, a culpar todos os deuses de que me lembro, pelos excessos cometidos no buffet das saladas e das sobremesas. Nesse meu Algarve, as lésbicas são giras e vestem-se bem. Dão beijinhos carinhosos ao pé da piscina e a malta agradece. O estereótipo de lésbica masculinizada irmã da Marge não andou por lá.

No meu Algarve, o bar só servia Carvalhelhos e Pedras Salgadas. Como Vimeiro é o novo vicio, decidi investir numa ida à mercearia mais próxima, e assim contribuir também para o comércio local. Descobri que ainda se vende Brut 66, e que o cheiro ainda me desperta memórias. A modos que boas. A par de Old Spice, foram os primeiros aromas por quem me fiz acompanhar ainda imberbe. Não contando com aquela vez em que decidi experimentar se a malta gostava do cheirinho da colónia Jonhson’s para bebé. Aparentemente era só eu que gostava. O melhor Whisky do tudo incluído era J&B. Bebi a contragosto para esquecer os timbres que se faziam ouvir. Era o dia do karaoke.

No meu Algarve a enorme piscina tem um metro e quarenta de profundidade máxima e um aviso a proibir saltos. Perfeito para nadar descontraidamente, terrível para o puto de Barcelos que decidiu ignorar o aviso e saltou. Bateu com a testa, choramingou em frente ás pitas francesas que queria impressionar, e ganhou um ar carrancudo durante os dias que por ali nos cruzámos. Eu, ri-me bastante. Piedade não é para mim.

No meu Algarve as empregadas de limpeza têm os nervos à flor da pele. Pelo menos a pretinha brasileira que diz ter apanhado o susto da vida dela, quando voltei ao quarto para pegar nos óculos de sol que haviam ficado esquecidos, e a apanhei de costas a fazer a cama. Hotel+cama+brasileira= cliché do caraças. No fucking way. Saí assim que pude.

No meu Algarve os escaldões dos Ingleses são iguais aos escaldões dos Ingleses no resto do mundo. Pagam balúrdios para alugar ao dia as espreguiçadeiras, e infestam a beira mar com as suas caminhadas e costas com tonalidades vermelho vivo. Afastei-me numa breve corrida e no regresso pensei ter sido gamado. Não encontrava o meu chapéu de sol. Não associei isso ao vento que se fazia sentir, até reparar em alguém que lutava com ele a alguns metros dali. O chapéu de sol perdeu. No meu Algarve também se luta com o vento como o D. Quixote. E não faltam por lá panças.

13 thoughts on “No meu Algarve

  1. Humm…acho que não andas no Algarve certo. Ainda há sitios giros que têm escapado à massificação. Não ficam à beira-mar (esses estão irremediavelmente perdidos) mas um pouco mais para o interior.
    Mas seja em que Algarve for os meus votos de boas férias.

    (estou com a CP…a sério?!)

    • Anna Blue, felizmente também conheço esse outro Algarve, o ligeiramente menos conhecido. 🙂
      Esta espécie de diário foi da semana passada. Já foram. 🙁

      O Algarve deste ano foi por força de algumas circunstâncias que me levaram a querer estar de papo para o ar o maior tempo possível. 🙂

      Colónia Jonhson’s cheira mesmo bem, tá? 🙂

  2. Espero que pelo menos tenhas apanhado a àgua salgada à uma temperatura que não descredite o que o o Algarve tem de bom. Em Agosto esteve péssima, a cabrona! 🙂

    Bem regressado sejas. A linha amarela já sentia a tua falta… 😀

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