OST

É de certa forma curioso, que, tendo tido um passado ligado a ambientes sonoros pesados, já tenha decidido que a música que irá tocar na minha cremação Viking, seja a Towers de Bon Iver. Confusos? Eu ainda estou mais. Em primeiro lugar porque ainda não sei como hei-de conseguir convencer a família que à data me restar, de que a melhor forma de homenagearem a minha fugaz passagem por este mundo, seja deitar gasolina a um monte de madeira empilhada e atear-lhe fogo, oferecendo assim de bandeja a visão das minhas flácidas peles encarquilhadas a arderem em lume rápido, numa combustão com cheirinho a carne queimada e aquela gordurinha do costume a pingar e a fazer as chamas chisparem.

Para além da dúvida que logo me assoma: se ainda haverá gasolina à venda avulso daqui a uns trinta ou quarenta anos? É esperar que sim. Na verdade, a impraticabilidade desta minha última vontade prende-se apenas com esta questão. Porque a parte do funeral Viking está mais do que decidida. Do ponto de vista legal não sei até que ponto isto levantará problemas, por causa das tangas da saúde pública e tal, mas será uma questão que a minha descendência terá de resolver. Sob pena de não verem a cor das minhas escassas poupanças.

Falava do quê mesmo? Música para um funeral. Abri aqui uma excepção. Vão ser tocadas duas músicas e não apenas uma. Vai ser em loop, mas como vai arder tudo rápido, não vai chatear muito. No máximo vão ficar a lacrimejar dos olhos com o fumo, mas afastem-se do sentido do vento e nem isso incomodará. Nada de Heavy metal, ou gótico lamechas. A banda sonora será um selo de autenticação do “Eu” camaleão. Descobri-a por acaso a ver um fan trailer do Oblivion. E apaixonei-me.

4 thoughts on “OST

  1. Sim, sim, porque um funeral viking não é nada coisa de heavy metal. :p

    Cheguei cá por outro blog. Já tenho diversão para uns dias.

  2. Já estava com saudades dessas tuas carnes flácidas!

    A música é do caraças, nem percebo bem porquê, já que me faz pensar em várias outras coisas (bandas, cantoras) mais ou menos parecidas. A rapariga tem uma imagem toda ela muito cuidada, uns vídeos do outro mundo (andei a espreitar).
    Continua com essas boas recomendações.

  3. Alexandra, não fales daquilo com que a musicalidade dela se possa parecer.
    Consigo assim de repente pensar em Rufus Wainwright e eu detesto o som do tipo. Deixá-la assim. 🙂

    E pensar que se não fosse um filme sci-fi eu não teria lá chegado. -_-

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.