Rhinoceros

Estávamos a subir o íngreme acesso ao Portinho da Arrábida. Como a  variável Calor+Sol+Farnel+Praia ainda vem longe, conseguimos descer com o carro. Fora um belo piquenique. Aproveitar aquele bocadinho de tréguas que a chuva deu foi a minha melhor ideia do mês. A pequena presidiária estava de condicional e por isso aproveitámos. Ganga arregaçada, pé descalço, cheiro a mar, os clichés da praxe. Correr atrás de caranguejos, falhar o pé naquela rocha e lixar um joelho, beber café em frente à Anicha, também foram clichés presentes.

Sempre a tentar incutir coisas boas à mini presidiária, e porque não a podemos sempre deixar ganhar e ouvir Muse constantemente até à exaustão, lembrei-me de ouvirmos o “Gish” dos Smashing Pumpkins. Esta faixa, “Rhinoceros” está lá, e faz deste álbum um dos meus preferidos, mas também, e não sei muito bem porquê, esqueço-me demasiadas vezes disso. E por isso lá fica, no fundo do porta luvas. O abanar constante da cabeça dela, é sempre sinal de aprovação.

Tentei que fossemos ao convento da Arrábida mas para não variar estava fechado. No regresso discutíamos argumentos parvos para filmes e séries. Nada de muito edificante mas que nos faz rir sempre. Eu estava muito orgulhoso do argumento sobre o meu filme porno sobre padres zombies em constantes orgias no convento da Arrábida. Ainda ninguém tinha pensado nisso. Mas às vezes esqueço-me dos pequenos porquês de a ter escolhido como companheira para a vida. Alertou-me de imediato para o facto de não ser nada original. Que os egípcios já tinham pensado nisso. Ísis juntou os pedaços do corpo do amado, Osíris, copulou com o gajo já zombie e não satisfeita, emprenhou dele, nascendo dessa relação Hórus. O meu argumento original caiu por terra, mas por entre gargalhadas, amei-a ainda mais um bocadinho.

4 thoughts on “Rhinoceros

  1. E há também registo de episódios de orgia nos Sinais de Fogo de Jorge de Sena, quando Jorge e os amigos levam umas espanholas para a capela na estrada da Figueira, creio eu. Não havia padres, mas o sacristão e o ajudante eram praticamente zombies, por isso creio que também se enquadra.

    (O Ruben Patrick informa-me que há uma vasta e didáctica obra relativa ao tema, mas eu cortei-lhe a palavra, estava a ser demasiada informação…)

  2. O Portinho é bom em qualquer altura do ano. 🙂 Também é dos meus locais de eleição. O convento dá para visitar mas só com marcações prévias. Desconheço é se andam por lá padres zombies em tanga de leopardo…ou pior. :p

  3. Se o Sá Leão lê o teu blog, temos filme…
    Foi com o Mellon Collie que conheci Smashing, e é por isso o meu preferido mas, admito que o Gish é mais puro. Já agora ela também tem bom gosto, deves fazer-lhe a vontade mais vezes 😉

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.