Rip-off

Fiquei chateado. Bastante chateado. Não sendo de todo o mais fiel dos seguidores do programa Ídolos da SIC, nem coisa que se pareça, confesso ter seguido com alguma atenção, a edição de 2009. Andava por lá um jovem que, para além de ser do Norte, trazia um reportório que acabou por me convencer. E tinha um timbre bastante decente que facilmente convenceu também os portugueses, sendo que acabou por ganhar. Desapareceu do mapa durante quase três anos, radicado que estava em Londres a estudar e a progredir musicalmente, diz-se.

A Farol meteu o dedo no produto final que saiu recentemente para o mercado. E fez merda. Nem vou pelo artwork, que sou leigo. Mas parece ter parado em 2005. Em relação à musicalidade e pelo menos naquilo a que tive acesso, um EP, (julgo tratar-se de um EP), com quatro faixas. E ouvi de tudo. Ouvi Ornatos Violeta, ouvi Jeff Buckley, e alguns outros. Gosto bastante dos copiados, não me interpretem mal, mas as colagens são tão óbvias que chateia. Não acredito que fosse este o caminho que o Filipe Pinto pretendia calcorrear ao meter-se nesta confusão, mas o dedo da Media Capital parece ter acabado por ferir de morte a estreia musical, e a solo, de uma voz decente.

Faixas: Amanhã Talvez, Insónia, Resto de Nada, Vila. E se por acaso o Filipe teve carta branca para criar a seu bel-prazer, o que duvido, foi arriscar demasiado nas colagens óbvias. É certo que actualmente é muito difícil inovar, e às vezes parecemos andar só a comparar a musicalidade de tudo o que sai para o mercado, e a encontrar semelhanças, mas nesta primeira amostra exigia-se algo diferente. O que não quer dizer que não encontre ali qualidade, está lá a rodos. Mas não traz nada de novo. Se não soubesse o que estava a ouvir, teria ido logo googlar acerca de um eventual novo trabalho a solo do Manel Cruz.

 

12 thoughts on “Rip-off

  1. (não ouvi nada deste novo ep, falo apenas pelo que li aqui, agora.)

    pois a mim, este filipe nunca me convenceu, nunca passou duma carinha bonita a cantar “ouvi dizer” dos ornatos violeta. é verdade que ele sabe cantar, mas sempre o achei demasiado agarrado à imagem de tímido durão, de rockeiro vítima, e limitado no repertório musical que apresentou. bem sei que se eu me metesse nisso dos ídolos (imaginando que consigo cantar sem ferir ninguém de morte) iria incorrer no mesmo erro, desta feita, com as músicas/bandas que gosto de ouvir.

    ainda assim, isto tudo não justifica que passados três (já?!) anos, com estudos dedicados pelo meio, ele tenha voltado na mesma, demasiado colado a uma imagem que não é sua.

    • Pedro, é um pouco por aí. Ele entrou com alguns vícios, timbre e colocação à Eddie Vedder, a produção sempre a tentar arranjar-lhe temas adequados à sua voz, a vitória final, fruto de jogada de bastidores segundo se diz, mas no fundo, o puto até canta bem.

      Mas sim, se é esta colagem o produto de três anos, fica aquém das expectativas.

    • freeculture, procura no youtube que já por lá anda material novo, fecha os olhos, guia-te pelo som, e estás a ouvir Ornatos. 🙂

  2. Por acaso, comigo passou-se o mesmo, também segui essa edição dos Idolos e gostei bastante do Filipe. Sempre esperei que houvesse uma evolução notória na sua carreira, com a sua ida para Londres. Depois, não mais se ouviu falar nele.
    Agora, leio o que escreveste (não ouvi o disco) e fico desiludido. Mas há muitos que não começam bem e têm força para se recompor. Vamos esperar 😉 …

    • Vic, como já referi, aposto que ele cedeu à pressão da Farol para mandar cá para fora um produto easy listening. Duvido que se dependesse exclusivamente dele, o produto final fosse semelhante a este.

  3. gosto muito da voz dele…mas concordo contigo…as músicas e mesmo as letras não são felizes, não trazem nada de novo eu já tinha ouvido “insónia” na rádio e nem percebi que era ele e é uma pena! mas ele ainda vai a tempo 🙂

    • É esperar, Miss Kinky. Mas ainda não li/ouvi críticas. Este EP saiu recentemente. Na volta estão a adorar este trabalho e ainda vai para o Top. 🙂

    • Todo Eddie Vedder também não o levava longe, Filipa, que colagens ao Eddie são mal vistas, porque ele é único.

      Assim de repente o vocalista de Creed, a abusar nas colagens, e o Miguel Guedes dos Blind Zero cá em Portugal. As críticas foram chovendo, e a tendência natural desses vocalistas, foi afastarem-se desse timbre.

      Mas colou-se ao Manel Cruz, que também é único, e logo aí, a critica também se impõe. E eu até gosto do Filipe.

    • prezado, arredondaste bastante por cima, não? 🙂

      E sim, capa muito fraquinha, e bastante datada. Andou tudo a fazer aquilo de 2005 a 2007.

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