Sasquatch 2 – O regresso da Besta

São exactamente 21:06 de Quinta-Feira. Sei que me restam 24 minutos para começar o martírio. É uma quinta-feira igual a tantas outras. Na verdade não. Esta acontece apenas uma vez por ano. Para a maior parte da fauna que partilha o meu prédio, é, provavelmente um dos acontecimentos do ano. Para mim são “apenas” três ou quatro horas de vida que nunca mais vou recuperar. Não que fosse fazer algo mais produtivo com elas, mas isso é um problema meu.

A Margaret Tatcher chegou e foi sentar-se lá à frente. De ferro não terá grande coisa. Talvez o cinto de castidade que parece usar. Aquele rabo não é normal e duvido que nesta altura do campeonato alguém “lá vá”. De Dama não tem nada. O ar chunga diz tudo, e se dúvidas houvesse, a nuvem de laca no ar resume a coisa.

O Clark Gable ficou à porta a fumar o Marlboro, que não é gajo para se misturar com a ralé. Se me pagasse, era gajo para lhe ir aparar a bigodaça. Aposto que conseguia fazer um serviço melhor que o fashion adviser dele. Clark, se o Artur Jorge doou o bigode dele à Ciência, why can’t you?

Miss Piggy, és uma querida. Não és nada, estava a gozar. Odeio-te. Finges que és a dona do prédio, e que o teu canito com ar agoniado pode cagar em qualquer lado. Não pode. Não é bonito ver um mini cagalhão a estragar a imitação de calçada portuguesa em frente à nossa casa. Aposto que tens micose nos pés e nem sabes. Ah. Nem consegues olhar para os pés. A Dolly Parton que há em ti, deve certamente ter algo a ver com isso.

Do Dumbo não existe muito que se possa dizer. Mora no apartamento ao lado do meu. Não abre a boca, mas também não atrapalha. Melhor assim. Dizem que tem uma namorada. Nunca a vi. Mas espero honestamente que seja verdade. Isso ajudaria a explicar os sons de quem parece estar sempre no secso. Á bruta. E constantemente. Ah, a inveja, a inveja. Não te invejo as orelhas. Não temos lareira para acender lá no prédio. E depois já existem acendalhas.

Mas o melhor está por vezes guardado para o fim. Depois de aprovado o relatório de contas, existe sempre aquele espaço dedicado a perguntas, opiniões, que é sempre sinónimo de silêncio sepulcral, até alguém dizer: -Ah e tal, então podemos ir embora. Não. A cabra da porca Piggy decidiu opinar sobre a falta de educação de alguns condóminos. O descaramento!! O desplante!! (Fica pior). Eu fui um dos visados. Disse-me que me acha pouco educado, que poderia fazer um esforço para sorrir. A Margaret Tatcher anuiu, o Clark não vi que continuava à porta com o seu bigode.

Silence!! I kill you!! Apeteceu-me dizer. Mas não. Já em casa (como sempre acontece), é que me lembrei que podia ter dito que opiniões são como o olho do cú. Mas disse apenas que pagava na mesma moeda. Trombas merecem trombas. Só não cago na calçada portuguesa.

 

 

12 thoughts on “Sasquatch 2 – O regresso da Besta

  1. Ah, reuniões de condomínio! A felicidade que tenho de não ter disso para me chatear! Também ajuda o facto de haver tanta rotatividade no prédio que, em 4 anos, já sou a 2.ª inquilina mais antiga. Ah e o facto de levar o meu cão à rua e apanhar o que ele faz, coisa que devo ser a única no quarteirão a fazer, a julgar pela gincana de poias que faço todos os dias.

    • Os meus “vizinhos” também devem estar sempre a alugar porque raramente reconheço uma cara.
      A bosta de cão é um martírio. Quando pensas que te conseguiste esquivar a todas, existe sempre uma a que não consegues escapar.

      Um martírio, I tell you.

    • Eu mandava-lhe umas coisas, mandava. Mas não era o blog.

      Tenho de começar a controlar as dias do cão à rua e ganhar coragem para fazer o que tem de ser feito. Com um saco na mão. E depois…3ºA.

  2. Reuniões de condomínio… Este ano tive que faltar, mas a minha vizinha do lado fez-me logo o resumo pouco resumido.
    O ano passado calhou-me a mim a pastilha e foi um ano muito duro!
    Os meus vizinhos são todos muito engraçados, quando não são eles os administradores, querem fazer tudo, quando a pastilha lhes calha a eles, não há tempo.
    Bahhh

    Gostei das alcunhas dos teus vizinhos, além de “pouco educado”, achas que tens mais alguma alcunha?

  3. Não faço ideia Cláudia. Mas é provável que tenha umas quantas. 🙂
    Mas sendo chato, acaba por dar um bom programa. É quase como ver um episódio do National Geographic. Sem os leões. E as cobras que também não gosto.

  4. Eu estou como a Rachelet, livre dessas reuniões. Mas não me safo dos viznhos, nem dos seus cãezinhos e a praga das bostas. Logo por azar moro num bairro no qual parece que só ru é que ando de saquinho na mão à espera que a minha “piquena” largue a carga. Ainda por cima, parece que tenho azar: é matemático que quando há uma daquelas grandes e moles no chão, distraio-me com qualquer coisa e pimba! pisadela e sapato a ficar cheiroso durante uma semana.
    Gostei do tom cinematográfico, mas o Clack Gable sem bigode era a mesma coisa que o John Holmes sem…bem, tu sabes o quê.

  5. Eu já pensei sinceramente em munir-me de um saco e ir recolher umas quantas bostas, para depois deixar na porta do apartamento. Toda a gente conhece alguém que supostamente já fez isso. É quase Urban Legend.

    Mas vontade não falta.

    Já do John Holmes…bem, eu é mais Rocco Siffredi 🙂 Ou o Jonah Falcon que teima em não querer fazer carreira com o comprido dom que deus lhe deu. 🙂

  6. Tens uma vizinhança agradável… cof… cof… Eu sou tão sociável que mal reconheço os meus vizinhos. :X E estou safa desse tipo de reuniões. Ser completamente distraída e passar pouco tempo no local onde moro também não ajuda muito nisso.

    • Eu também faço por isso, faint, acredita. Mas é inevitável cruzar-me pontualmente com estas figuras. 🙂
      Mas não mordem. Já é alguma coisa.

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