Steeella!!!

Quando temos 18 anos, as paixonetas conseguem desvanecer-se por vezes, mais rapidamente que a velocidade a que uma prostituta heroinómana, despacha clientes numa manhã, para ir aviar a dose antes do almoço. Esta não terá sido excepção. Com a diferença que era Outono e não Verão. Não foi uma paixão tórrida porque estava um frio de rachar e acabou por ser quase um blind date demorado, com direito a uma sobremesa light.

O seu nome era Stella. Stella Lopez Caballero. E não, tão quanto soube, não era prostituta. Não me desvendou nada de novo. Não que as prostitutas o façam, acredito que  esta velha afirmação seja mais urban legend do que outra coisa. Apenas mais do mesmo, em bom. Durante aquele três curtos dias e um fim de tarde ensolarado, eu fui o Stanley Kowalski. Sem a parte de fazer a vida negra à Blanche. Não podia imaginar que aquela viagem a La Coruña me viesse a dar motivos para sorrir durante tanto tempo.

Era suposto ser aquilo que foi. Uma viagem de deboche, álcool e tudo o resto que viesse parar à rede. Já tínhamos parado em Vigo para fazer aquilo que os rapazes do Norte vão por norma fazer a Vigo, e já tínhamos ido a Santiago de Compostela acender uma velinha. Mentira. A da velinha. Ficava em caminho, e não sendo um wannabe peregrino, daqueles que dizem que não morrem sem fazer os Caminhos de Santiago, o  fez questão de passar por lá.

Chegamos bastante tarde a La Coruña. O advento do GPS e das marcações online ainda vinha longe, por isso estacionamos perto da 1ª placa a dizer centro que apareceu, e partimos à aventura, vulgo pensão barata. A memória aqui atraiçoa-me. Não me consigo lembrar do nome da pensão. Dela sim, e é isso que interessa. Lembrar-me-ei dela até que o Alzheimer dê cabo de tudo. Estava hospedada com os pais, e descobri-a a ler uma Hola na sala de convívio. Não houve musiquinha de filme romântico, nem corações a saírem pelos olhos. Apresentei-me à cagão, à espera de uma tampa daquelas, e recebi como troco um sorriso e um -Hola!-, que me desarmou e obrigou a fazer uso do meu melhor portunhol. Era de Ferrol, e estava ali com os pais para um casamento. O cérebro absorvia informação, eu só encriptava a visão do generoso decote dela para mais tarde recordar. E ela reparou. E não se fez púdica. A malta quis sair para comer, e contrariado fui, com a promessa de que a iria ver no dia seguinte.

O dilema do passo seguinte que ambos tínhamos vontade de dar, nunca se proporcionou. Veio o tal casamento, e só conseguimos estar sozinhos mais um par de vezes. Com pais sempre à coca e amigos parvos a meterem nojo, nada feito. Se estavam neste momento à espera que houvesse uma descrição de fornicanço, não houve. Não chegamos a passar da second base na última noite a seguir ao jantar. Uma ida demorada à casa de banho foi a única desculpa que conseguiu. Fomos sôfregos na intimidade desse breve momento. Mas foi o suficiente para me apaixonar. Moradas trocadas com a promessa de manter contacto. E ainda tentamos. Meses depois, a penúltima frase da última carta: “mi novio se enfada porque tu y yo hablamos” resumiu o nosso futuro. Foi o fim do bom vento de Espanha que me soprou no rosto. Steeella!!!

 

 

40 thoughts on “Steeella!!!

    • Blue, na altura magoou. Mas acho que foi pelo melhor. O meu espanhol é sofrível, e não íamos estar sempre a comunicar com a linguagem universal do sexo. 🙂

      Também tiveste um “Stello”?

  1. Opá, essa de lançares o isco e no fim dizeres que só pescaste um caboz é de artista. Nós aqui à espera de “assistir” a uma berlaitada luso-espanhola, e tu não me passas dos preliminares…Que desilusão, Troll 🙂

  2. Ainda sabes o nome todo da stella, impressionante. Eu tambem tive uma paixoneta por um espanhol nessa altura, estavamos num campo de trabalho de arqueologia, e haviam dois espanhoes nossos colegas muito simpaticos. O Alfonso e o Natcho e eu andei aos beijos (sem aproximaçao da segunda base)com um deles, mas não me lembro qual foi : (
    Lembro-me perfeitamente da pessoa e do momento, mas o nome ja nao.
    Agora sais-me tu com o nome completo da moça e eu fiquei a sentirme mal.

    ps:Eu pensava que as pessoas só iam a Vigo para comer marisco, a serio que pensava, nao sabia que era o ex libris da vida nocturna do norte.

    • freeculturelisbon, sou assim bom com nomes. Não sou nada, este fixei por todos os motivos que em cima descrevi. Marcou-me ao ponto de lhe fixar o nome.

      Com que então Alfonso e Natcho? 🙂 Right on!

      Em Vigo consegue-se comer imensa coisa. 🙂

      • Nao foi assim senhor Troll.
        Foi o Alfonso OU o Natcho, lembro-me dos dois nomes e das suas caras, mas nao sei que nome corresponde a cada cara.

        Pois eu da unica vez que fui a vigo, apanhei uma intoxicaçao alimentar com o marisco inesquecivel, mais inesquecivel que o Alfonso e o Natcho (que eram boas pessoas, nao quero quero dizer mal dos rapazes que eram porreirinhos).

        A memoria as vezes so nos deixa lembrar das coisas más

        Bem..tenho que trabalhar, ando aqui a fazer um tour pelos blogs para evitar trabalhar, mas nao se pode adiar para sempre : (

    • Bem, quanta honra. Um árbitro corrupto a visitar-me o blog.
      Bem-vindo Bruno.

      Em relação à questão do nome, se a encontrares, pergunta-lhe se se lembra de mim. Se se lembrar não vai contar porque as mulheres não contam e o novio dela era ciumento. Se não se lembrar não me contes que isso ia magoar-me. 🙂

      • ela se calhar conheceu dois portugueses nessa altura beijou um e ja não se lembra qual foi (do nome claro, porque seguramente que o talento do Troll é inesquecivel).

        E sim se ela tinha namorado, cala-se que nem um rato mas olha que a melhor amiga sabe sempre.

  3. Acreditas que a primeira coisa que me veio à cabeça quando vi o nome Stella foi Stella Artois??

    PS1- Stella é considerado nome piroso em Espanha
    PS2 – Nao queria desfazer-te o coração mas acho que deverias saber isto. Ahahah

    • Olha, não tinha ficado mal servido com a artois, Jibóia 🙂

      Então Stella é piroso. Não sabia. Mas na altura o nome dela era o que menos me interessava. Á data, era provavelmente a miúda mais gira com quem já tinha trocado fluidos. 🙂

      O coração já está calejado q.b. Na altura fez mossa. 🙂

  4. Eu já por aqui ando, a ler, há algum tempo. Mas só agora senti necessidade de me “expor”.

    Porque há coisa de 3 anos, um sujeito chamado Carlos (e não sei o resto do nome), também me partiu coração.
    Isto passou-se em La Manga, sul de espanha. Mas o rapaz era de Vigo!
    Quando vim para Portugal andei aí meia sonhadora que daqui para lá a coisa ia dar-se até um dos amigos me vir dizer que o Carlos já tinha novia! Desgraçado !
    🙂

    • Antes de mais, bem-vinda, CP. 🙂

      Encontro aqui o princípio de um padrão. Quer então dizer que os espanhóis(olas), nos dão a volta, trocam conosco os mais variados fluidos, e depois de algum tempo afastados trocam-nos pelo primeiro novio(a) que aparece.

      O ditado tem forçosamente de ter algum fundamento. 🙂

  5. Alguem me ajude!!!
    Como é que eu vou de Lisboa para Matosinhos (ida e volta) de transportes publicos , sendo que a volta é de madrugada.
    Eu ja andei no site da cp, dos autocarros eva, metro do porto, e estou a chegar à conclusao que tenho que levar o carro.
    sugestoes?????

  6. Só posso dizer que também passei por esses tempos de “second base” e que esta estória trouxe-me boas memórias. “God damm, it was so fucking good”!

    Freeculturelisbon: RENEX

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