The end is near

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Numa rápida e errada assumpção, poderão vocês estar já a pensar que não faço outra coisa, que não fotografar a chungaria e a labreguice que me salta diariamente aos olhos. É uma meia verdade. Sou bastante selectivo naquilo que fotografo. Não fotografo toda a chungaria. Tenho os meus critérios, e se fosse de outra forma, enchia rapidamente a memória do cartão mini-SD do telemóvel. Tenho sempre alguma dificuldade nos enquadramentos, é certo, mas é isso ou a possibilidade de ser catado e levar uns sopapos. Como o gajo das gasosas no post de baixo. Fingi que estava a fotografar o Panda. Sucker. Adiante.

Calhou de estar na fila dos CTT para comprar um vale postal. Isso é outra merda. Os vales postais podiam estar ali ao lado, na máquina que vende selos, mas não, tens de aguardar na fila, juntamente com a malta do rendimento mínimo e os reformados. Mas esta reivindicação dá para outra história. Estão trinta graus lá fora e ainda não são dez da manhã. Aqui dentro o calor é menor, mas o cheiro a catinga é perceptível, e a combinação destes dois factores torna a velhada toda irritadiça e reivindicativa. Toda a gente berra. E depois ele entra. E toda a gente se cala. Mas não vem sozinho. Trás a fera com ele. A malta não se apercebe de que se trata de uma besta e acha fofinho. Totós. Eu percebi logo, que a mim ninguém engana. O Hemingway da Margem Sul, anda a treinar o “gatinho”.

Daqui a alguns meses, quando sairmos da moeda única, vai ser o descalabro. Não vamos passar a viver num país em estado de guerra, nem vamos acordar de manhã e ver a nossa rua transformada a la Cormac Mcarthy. Mas vai ser habitual vermos batalhas campais à porta dos bancos. Vidros partidos, segurança reforçada, tumultos, a malta com parcas economias a tentar tirar os míseros tostões, insuficientes para meter numa off-shore. E depois chega o Hemingway da Margem Sul com o Besta. Sim, tem tudo para lhe chamar Besta. Até ia chamar ao post El dia de la Bestia mas depois mudei de opinião. Play along. Reparem que ele andou este tempo a habituar o bichano a multidões enraivecidas. Começou pelos CTT em dia de rendimento mínimo, de seguida a sala de espera do Garcia de Orta, e variadas multidões no Cais do Sodré em dia de greve do metro. O bichano está mais do que preparado.

Hemingway chega, afaga o pelo de Besta, este ronrona e desvia a atenção dos contendores. Reparem que neste momento toda a gente está inebriada com o gatinho, foram muitos anos de Facebook e gatinhos. Num repente, Besta assanha-se, mostra as unhas afiadas, e ataca sem olhar a cor, credo, ou idade. Besta é imparável. Foi criado para este momento. Hemingway entra calmamente, não tira senha porque é o único cliente, cumprimenta os amedrontados bancários, e procura a sua caderneta da CGD. E procura. Remexe os bolsos. Impossível. Meses e meses de preparação para este dia. Puta que pariu a CGD e as cadernetinhas deles. Tem de voltar a casa. Sai porta fora. –Besta!! -Larga!! Besta larga o pescoço ensanguentado do segurança e salta novamente para o ombro do dono.

 

 

 

11 thoughts on “The end is near

  1. D.S. , se fosse um furão, teria bastante mais piada, mas duvido que toda a gente se chegasse ao bicho para fazer a festinha da praxe. Era um gato mesmo. 🙂

    Bem-vinda.

    • Eu não quero tirar a vez a ninguém, Alexandra, muito menos à Xuxi. Ia ser difícil competir com as preciosidades que ela nos mostra. 🙂

      A malta dos gatinhos no fb e em geral, devia ser obrigada a usar uma estrela de david na lapela. Mas às tantas já alguém se lembrou disto.

    • Começa pelo nome de guerra dele. Tem de ser um daqueles de impor respeito.

      Pensava que os piratas tinham papagaios de estimação. -_-

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