The light that rules the night

Permitam-me que confesse, antes de mais, que já não pagava para isto desde finais de 2010. Mas a carne é fraca, e como tal, encontrei-me naquele turbilhão de emoções forçadas sem dar por isso.

Entrei a medo, depois de um toque de campainha que me pareceu igual ao da casa da minha vizinha de infância. Até aqui, tudo boas recordações. Menos mal, pensei. A porta abriu-se e umas escadas pouco iluminadas convidaram-me a subir. Encontrei-me naquilo que me pareceu ser uma sala de espera. Estava razoavelmente iluminada por um abatjours de cor amêndoa, e imaginei-me num consultório médico à espera da minha vez. Folheei sem grande interesse uma Casa Cláudia antiga, e recordo-me de ter achado ser altura de uma obras lá em casa. É incrivelmente subliminar a mensagem da Casa Cláudia.

A matrona de ar enfadado por trás do balcão chamou o meu nome, e convidou-me a entrar. Um sorriso forçado denunciou o quanto queria estar em qualquer outro lugar. Quase me levou a pensar no mesmo. Era chegado o momento. No turning back now. Um inesperado branco inundou-me os olhos. Um sorriso que me pareceu sincero perguntou-me se era o Sr. Troll. Vinda de um canto que os meus olhos não alcançaram ao início, surgiu uma amiga que, gentilmente, me ajudou a despir o casaco para ficar mais à vontade.

Nunca estamos à espera de conversa de circunstância em momentos destes. Queremos despachar rápido o servicinho. Mas nesta conversa não tinha eu lugar. Falavam as duas de uma terceira colega, que estaria a ter um caso proibido com alguém. Isto enquanto se ocupavam de mim. Não é assim que um homem imagina um ménage à trois. Senti-me uma third wheel. Quis desistir. Quis sair dali para fora e não regressar. Não era justo. Mas não podia fazer nada. A anestesia já me percorria as veias e tinha a boca mais aberta que a Linda Lovelace depois de um dia de trabalho. Fizeram de mim o que lhes apeteceu. Tive que bochechar três vezes tal era a azáfama na minha boca. E aquela luz branca sempre a cegar-me os olhos.

Não foi a melhor das experiências a três que já tive. Consigo lembrar-me de melhores ocasiões. Mas dessas falarei depois. Sem anestesia.

 

18 thoughts on “The light that rules the night

  1. Vá lá, ocorreu-te a imagem da Linda Lovelace e não a de uma boneca insuflável, o que já é um sinal de humanização da coisa. Mas digo-te, esses ménages à trois não são realmente os mais agradáveis, embora depois da dormência inicial, se revelem compensadores. Só é pena que não dêem direito a fantasias 🙂

    • Pois não, não dão, V. 🙂
      Teria sido muito mais interessante imaginá-las a fazerem outras coisas. Por outro lado, eu anestesiado e elas de broca na mão…no me gusta a fantasia.

  2. LOL….em grande, meu rapaz ahahahahah depois a cereja em cima do bolo é um gajo ir almoçar uma sopa, ainda anestesiado, e o caldinho escorrer no canto da boca pra fora a cada colherada :))))))

    • Mónica, é uma figura incontornável do mundo da pornografia. Se para uma mulher isso não signifique nada de especial, para um jovem com as hormonas aos saltos, ela era o que de melhor havia. 🙂

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