The Lost Art Of Keeping A Secret

Seneca terá dito um dia que “‘O único segredo que as mulheres sabem guardar é aquele que ignoram.” Não concordo com esta afirmação porque generaliza em demasia. Conheço gajos que são autênticos túmulos, ao não revelarem como é que conseguem tantas kills no mapa do Grand Bazaar do Battlefield 3, jurando a pés juntos que não jogam com rato, e depois vêm a correr contar o que andou fulano a dizer sobre sicrano. São esses gajos que me vêm dizer entre dentes, quem é que anda a comer quem no escritório. Eu, que nos dias que correm ando distraído entre pivot tables e blogues, perdi o fio à meada, e já nem me apercebi que o C. levou a F. para a Pensão Horizonte na hora de almoço. Nada de estranho portanto. Quando vim para cá, cheguei a pensar que a praxe seria levar a F. para a Pensão Horizonte. Não era. E ainda bem. A F., para além de extremamente promíscua e liberal, não faz o meu género.

Mas foram mais que algumas, as vezes em que lhes pedi a elas que não contassem algo. E contavam sempre. Não que fossem segredos por aí além, que não eram. Mas eram segredos meus, e como tal, se quisesse que toda a gente soubesse, não lhos teria dito em voz baixa, cochichando cuidadosamente ao ouvido. Como daquela vez em que contei à Patrícia, sob a ameaça das unhas dela nas minhas costas, que o que o Tino realmente queria, era andar com ela e não com a sonsa da Inês. Era uma mentira piedosa, porque o Tino, até já à cueca da Inês tinha saltado algumas vezes entre aulas. O resultado deste segredo perdurou pelo tempo. A Patrícia fez figuras tristes a declarar-se ao Tino, e nunca mais me perdoou.

Já a Estela, se a comi (ou fui comido) , à Sara o devo. Também lhe achava alguma piada, mas a Estela deu-me um ar da sua graça com mais rapidez. Eu nem sabia da existência da Estela. Andava entretido com o feno de outras paragens e quando A Sara me veio segredar que a Estela gostava de mim, ataquei. Passei a andar de viola em riste no pavilhão onde ela tinha aulas e começamos a falar. Deu em namorico. Dos q.b. O êxtase de tal demanda, veio, (literalmente) na visita de estudo à Serra da Estrela. Daria um post por si só. A arte de guardar um segredo não existe. Em algum ponto, em alguma altura, todos prevaricamos.

37 thoughts on “The Lost Art Of Keeping A Secret

  1. Ora nem mais. Também conheço homens que quando abrem a boca, contam tudo sobre toda a gente.
    alguns segredos são inocentes e não causam mossa, mas já tive alguns dissabores com isso.

    Ps- A Sara foi amiga :p

  2. the lost art of keeping a secret é uma das minhas all-time favourites, mas o que interessa aqui são os segredos. já os guardei, bem pesados, durante meses, e alguns por mais de 10 anos até. e não me refiro à primeira namorada de um amigo, que (sobre)vive no fundo do armário dele desde essa altura, alimentada a toblerones. a confiança é aquilo-que-nunca-se-pode-trair.

    mas tive uma história semelhante à tua da estela/sara, pá… acho que a dada altura das nossas vidas, todos passamos por coisas parecidas.

  3. Mas isso também pode jogar a nosso favor. Tive uma colega que era uma língua de trapos, um verdadeiro Correio da Manhã móvel e que era muito útil quando se pretendia divulgar alguma coisa. Bastava dizer as palavras mágicas “…mas não contes a ninguém”. Era limpinho.

  4. Segredo é conhecimento. Conhecimento é poder. Gerir o poder em causa própria é intrínseco ao ser humano. Concordo, sim: “Em algum ponto, em alguma altura, todos prevaricamos.”. Uns mais do que outros 🙂

    • Francisco, escondi durante uns 25 anos dos meus pais, o facto de o meu irmão, (o Joe), me ter partido um braço. Sempre pensaram que tinha caído sozinho. Recentemente, e numa discussão com ele, tive um acesso escola primária e contei aos meus pais que tinha sido ele. Infantil, desnecessário, e não serviu para nada.

      É mesmo assim. No melhor pano cai a nódoa.

  5. Pelo que li, os segredos são só um pretexto para uma confissão: afinal tu és um valdevinos que vive constantemente em meios promíscuos!

    (porra! gajos com tantas e outros sem nada! o mundo cada vez está mais injusto!)

    • Vic, no Norte o secso liberta. 🙂 Eu era prisioneiro dos meus próprios receios até uma vizinha me libertar. Depois foi um forrobodó, com pequenos interregnos pelo meio.
      Promíscuo não.

      Tenho muito pouco de D. Juan. Fiz e faço a minha parte.

  6. É natural 🙂 (ok, o que é natural nem sempre é bom …)

    O segredos são moedas de troca, por isso são tão difíceis de guardar. A mim, só mos arrancam com uma navalha encostada ao pescoço. (a verdade é que me esqueço deles 🙂 )

    • Maya, isso é bom. Também me esqueço de muitas coisas que me vão contando. Assim que me lembre, e tirando o que ali em cima disse ao Francisco, nunca fiz uso de um segredo para uso próprio.

      Ok, tirando a Estela. Algumas vezes.

  7. Tanta e tanta gente a quem sei que não posso contar o que quer que seja. Algumas era o mesmo que colocar 1 anuncio no jornal. 🙂

    Os segredos deram cabo de impérios. Não é algo com que possa brincar. E sendo sério eu guardo.

    Conto-vos um segredo: eu já fui uma “Sara”. 🙂

  8. Eu ja guardei (guardo)segredos ha varios anos, se o/a dona quiser contar é responsabilidade dele/a.Tambem guardo segredos meus.

    Mas reconheço que ha por ai segredos que de segredo nao tem nada, basicamente o facto de ser segredo credibilisa a veracidade de uma acçao.
    Se alguma acçao idiota for um segredo essa acçao é valorizada, porque o raciocinio é “se fosso mentira nao seria segredo”( o que nao é necessariamente verdade).

    Andei uns 2 meses viciada no blog schiuuu, conhecem?
    até que depois percebi que comentar aquele blog trazia o pior de mim ao de cima.Percebi tambem outras coisas mas que agora nao vem ao caso.

    • freeculturelisbon, não me leves a mal, mas o blog schiuuu parece-me mais inventado do que outra coisa. Mas também posso estar enganado e aquilo ser um antro de malta insegura com segredinhos por revelar.

      Conseguires guardar segredos durante anos faz de ti uma anti-Sara. 🙂

      • Nao levo nada a mal tambem eu cheguei a essa conclusao, mas durante aqueles meses que segui o blog havia algo em mim de curiosidade de beata que não conseguia controlar.

      • Já tive assim uns deslizes, mas foi em coisas que me contaram que não tinham muita importância. Agora há uns que eu não conto a ninguém, apesar de já nem me dar com certas pessoas que me contaram ou termos vivido situações que são segredo e de ter havido uma ruptura na amizade que foi pouco amigável, não conto nada, a não ser que fique senil e desate a contar tudo o que sei 🙂

  9. Pensava que esse tipo de segredos “de x está interessado em z” só se confessavam com a esperança que o “segredo” chegasse aos ouvidos de z e as coisas se dessem…. 😉
    Eu era do tipo “nem ás paredes confesso”e isso aliado a ceguez crónica que sempre me caracterizou, fez com perdesse “a lot of fun” nesse tempos de pátio de liceu e esplanda do bar da escola.
    Bom post Troll.

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