Under pressure

Ontem ao final do dia, e aproveitando os últimos raios de Sol que me lambiam a cara, tentava afinar a viola semi-acústica nova, depois de um showcase privado de Alice In chains. Perdi o afinador, e das duas uma, ou tenho buracos em casa que desconhecia, ou algum ladrão parvo me assaltou a casa, e roubou apenas um afinador de dez euros dos chineses.

Na verdade foi uma fraca tentativa de tocar a No Excuses, mas ninguém pode menosprezar o esforço do autor, depois de tantos anos parado. Eis senão quando a Mi aguda rebentou. A caçula das cordas não aguentou a pressão. A princípio pensei se não teria exigido demasiado dela ao subir-lhe um tom, mas cheguei depois à conclusão de que afinar violas com o Garage Band da Apple, não é tão fácil como no Youtube. O simplificar do mundo apregoado pelo malogrado Steve Jobs não passou por ali. Ou isso, ou o facto de ter um portátil novo também não ajuda.

Isso levou-me quase de forma automática a pensar na questão de como lidamos com a pressão. Eu sempre achei que lidava bastante bem com a pressão. Uma vez o Renato passou com as rodas da 4L do Pai dele por cima dos meus pés, e eu aguentei toda aquela pressão como um homem. Nem lagrimita ao canto do olho. Nada. Como um homem. Os dez euros da aposta não tiveram nada a ver com isso. Uns anos depois, a Sandra, a irmã do Fáquir, quis ficar por cima, e eu, que não sou gajo de ignorar os pedidos das mulheres, também aguentei aí a pressão como um homem. Firme e hirto, mesmo sendo a Sandra uma rapariga, digamos, bastante anafada.

Mas não é fácil lidar com a pressão. Recentemente tive um episódio de menor lucidez intestinal. Uma vez conseguido o acesso à final de uma competição de equipas, e estando a minha a minutos de entrar em campo, entrei em total desacordo com os meus intestinos. Eu totalmente preparado para jogar uma final, eles com vontade de expelirem o almoço pelo mesmo motivo. Foi uma luta que perdi sem qualquer tipo de glória. Os meus intestinos são panisgas e lidam muito mal com a pressão. A equipa jogou a final, e eu fiquei enfiado numa casa de banho a resolver assuntos pendentes. À turca.

39 thoughts on “Under pressure

      • A única coisa que me vem à mente quando oiço a palavra ‘tuga’ é um português emigrante vestido de maneira azeiteirola, com colunas de pôr qualquer pessoa surda a encher a mala do carro 🙂

        • Nop. Tuga não é isso. Isso é Brasuca. Tuga tem um canito de veludo com a cabeça a abanar, na parte de trás do carro. Onde também repousam ramos de eucalipto por cima de um naperon de lã 🙂

  1. É bom ver que não és elitista nas tuas escolhas. 🙂 As mais ou menos anafadas agradecem. 🙂

    A pressão vs intestinos é um mal de que a humanidade padece. Oh la la se padece. 🙂

  2. Das cordas da guitarra à necessidade de um shot de Ultra-Levur, passando por debaixo de rodas de uma 4L e de uma sereia (metade mulher, metade baleia), este post é um post que faz (im)pressão 🙂

  3. trollito, coitada da sandra… 😉
    a pressão é tramada. eu sou mais dada a arritmias e/ou quebras de tensão – e olha que não é bonito ver a menina a agarrar-se ao Próximo para evitar cair de trombas no chão x)

  4. Os chineses tem afinadores? é impressionante, eles surprendem-me, juro.

    E bentita a Sandra que te pôs “Firme e hirto” como se deve estar nessas situaçoes, ha muitos homens que necessitavam de umas Sandras em cima deles para ver se resolviam os seus “flacido e com um angulo que nao chega 45º”

    • freeculturelisbon, o que é que os chineses não têm? 🙂
      Talvez pilas grandes, a julgar pelos estudos.
      Tirando isso os tipos copiam tudo, e sempre barato. Com qualidade já é outra conversa.

      O problema é que muitos homens, procuram,procuram, e descuram as Sandras, que na horizontal são tão boas ou melhores que as “outras”.

      (Esta última frase pode soar machista, mas se existe coisa que não sou, é isso. Tentei ser pragmático na abordagem).

    • Obrigado, Alexandra. 🙂

      O garage band é mais complicado do que pensava. E o problema passa essencialmente pelo afinador que é mesmo muito picuinhas. Tenho de voltar a experimentar com tempo.

  5. Opá, o wordpress anda outra vez a praticar censura interna?
    Bom, mas parece que de manhã escrevi, que o facto de dares a balda à badocha é mesmo de gentleman, porque além de lhe dares crença e
    lhe fazeres a vontade, correste o risco de ficares com uma parte da anatomia que muito prezas (eu pelo menos prezo) esmagada 🙂

    • Que coisa estranha, V.
      Não vi o teu comentário, e não foi parar ao spam. Mas estas alterações do wordpress andam a fazer estragos em muitos blogues.

      Ela merecia, que no fundo, no fundo, era boa rapariga. Tinha era uns maus genes. 🙂

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